Brasília – Uma declaração do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, comparando agentes econômicos a um “caminhão de japoneses” provocou críticas de integrantes da comunidade nikkei e levou à apresentação de representações ao Ministério Público Federal (MPF) e à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
De acordo com o UOL, a fala ocorreu em 30 de julho, durante um evento sobre as novas regras para a comercialização do gás natural pertencente à União.
Ao defender que empresas e demais interessados recebam tratamento igualitário da estatal Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), o ministro afirmou:
“Os agentes econômicos, quando procuram um gestor, eles têm que ser tratados como um caminhão de japoneses. São todos iguais. Você não tem um agente de estimação. Pelo menos é o certo para quem está servindo ao país do lado de cá da mesa.”
Veículos como UOL e Veja noticiaram a declaração, registrada em vídeo.
Embora Silveira estivesse defendendo a imparcialidade no atendimento aos agentes econômicos, representantes da comunidade consideraram a comparação preconceituosa por reforçar o estereótipo de que japoneses ou pessoas de origem asiática seriam fisicamente indistinguíveis.
Nori Seto critica declaração na Câmara de Curitiba
O vereador de Curitiba Nori Seto (PP), descendente de japoneses, repudiou a declaração durante uma sessão plenária realizada na quarta-feira (5).
De acordo com o parlamentar, pessoas que ocupam cargos públicos têm o dever de respeitar a população e não devem recorrer a estereótipos para explicar um raciocínio.
“Infelizmente, ainda há quem pense que o racismo contra pessoas orientais não existe ou que é menor, ou que não ofende, ou que pode ser tratado como brincadeira. Não pode”, afirmou.
Por fim, Seto também declarou que nenhum tipo de preconceito deve ser relativizado.
“Espero, sinceramente, que essa declaração seja reconhecida como erro e que sirva de reflexão, porque palavras têm consequências. Ou combatemos todas as formas de discriminação, ou estaremos escolhendo quais preconceitos nós toleramos.”
O pronunciamento está disponível no site oficial da Câmara Municipal de Curitiba, que classificou a fala de Silveira como “infeliz” e “preconceituosa”.
Representações pedem apuração
O jornalista e advogado nipo-brasileiro Mario Jun Okuhara afirmou ter encaminhado representações ao MPF e à Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
De acordo com o documento destinado ao MPF, ele pediu a apuração de uma possível prática de racismo. À Comissão de Ética, solicitou a análise de eventual violação das normas de conduta aplicáveis aos agentes públicos.
Além disso, Okuhara também pediu que, caso se constate alguma irregularidade, o órgão avalie a recomendação de medidas administrativas ao presidente da República.
A apresentação dos protestos não significa uma denúncia formal. Caberá aos órgãos envolvidos avaliar se existem elementos para abrir procedimentos de apuração.




