Tóquio, Japão – O Asahi Shimbun classificou como injusta e excessiva a proposta do governo japonês para endurecer os critérios de concessão do visto permanente a estrangeiros. Em editorial publicado no sábado (29), o diário afirma que as mudanças podem acabar com os planos de pessoas que escolheram o Japão para construir a própria vida.
“É uma mudança capaz de destruir a esperança e a motivação de estrangeiros que escolheram o Japão como lugar para construir uma vida. Também é impossível ignorá-la do ponto de vista humanitário”, declarou o jornal.
A Agência de Serviços de Imigração divulgou uma proposta de revisão das diretrizes usadas na análise dos pedidos de visto permanente. Entre as novas exigências previstas estão renda superior à média dos japoneses e uma estimativa de aposentadoria equivalente à de uma pessoa com salário médio que tenha contribuído durante 30 anos para o sistema previdenciário dos empregados.
Atualmente, a Lei de Imigração estabelece três condições gerais para a concessão do visto permanente: boa conduta; patrimônio ou capacidade profissional que permitam uma vida independente; e compatibilidade da permanência com os interesses do Japão.
As diretrizes em vigor determinam ainda que o estrangeiro não dependa de recursos públicos para viver e tenha perspectiva de manter uma vida estável. Embora o governo não divulgue um valor oficial, uma renda anual de ¥3 milhões geralmente serve como uma referência para quem mora sozinho.
Barreira maior para setores com salários baixos
O Asahi lembrou que o salário médio anual no Japão foi de ¥4,78 milhões em 2024, segundo dados da Agência Nacional de Tributos. Na avaliação do jornal, vincular a aprovação a esse patamar representaria um aumento expressivo da barreira financeira.
O impacto seria particularmente grande para estrangeiros empregados em áreas como indústria, construção civil, agricultura, pesca e cuidados de idosos, nas quais os salários tendem a ser mais baixos.
Somada à exigência relacionada à futura aposentadoria, a mudança poderia restringir de maneira acentuada o acesso ao visto permanente.
“Há um grave problema em impor, por decisão administrativa, exigências que vão muito além do que está escrito na lei”, criticou o editorial.
Dados sobre seikatsu hogo são questionados
O jornal também contestou a justificativa de que o endurecimento seria necessário por causa do recebimento de assistência social, o seikatsu hogo, por residentes permanentes.
Segundo uma pesquisa por amostragem do governo citada pelo Asahi, 1,96% dos residentes permanentes recebem o benefício. A taxa para a população japonesa como um todo seria de 1,62%.
Para o diário, a diferença não é grande o bastante para sustentar uma mudança tão rigorosa. O editorial destaca ainda que o governo não possui dados completos sobre o recebimento de assistência social separados por tipo de visto. A pesquisa utilizada abrangeu apenas cerca de 7% dos residentes permanentes.
O Asahi reconhece que o governo precisa verificar se o candidato terá condições de manter uma vida estável no futuro, mas considera frágeis as informações usadas para justificar o aumento das exigências.
Aplicação retroativa seria uma “injustiça”
Outro ponto criticado é a possibilidade de os novos critérios de renda serem aplicados também a pessoas que já deram entrada no pedido de visto permanente.
“Para os interessados, seria uma mudança inesperada, aplicada no meio do caminho. Não é uma injustiça?”, questionou o jornal.
O editorial lembra que muitos estrangeiros organizaram a carreira, as contribuições previdenciárias e a vida familiar com base nas regras existentes no momento em que decidiram permanecer no país.
No fim de 2025, o Japão tinha cerca de 4,12 milhões de residentes estrangeiros, o maior número já registrado. Aproximadamente 940 mil possuíam o visto permanente, a categoria mais numerosa.
Esse status dispensa renovações periódicas, permite trabalhar livremente em diferentes áreas e pode facilitar operações como a contratação de financiamento habitacional. Por isso, tornou-se um dos principais objetivos dos estrangeiros que desejam viver por muitos anos no Japão.
“Mensagem de exclusão”
O Asahi também relacionou a revisão das regras a outras medidas do governo, como o forte aumento das taxas de procedimentos migratórios.
“Embora repita que rejeita a xenofobia, o atual governo vem adotando medidas que passam uma mensagem de exclusão dos estrangeiros”, afirmou.
Para o jornal, endurecer indiscriminadamente as condições de permanência seria contraditório em um país que enfrenta queda populacional, envelhecimento e falta de mão de obra. A população japonesa já ficou abaixo de 120 milhões, enquanto a presença de trabalhadores estrangeiros se tornou indispensável em empresas e comunidades locais.
“Em vez de simplesmente elevar as barreiras, o governo deve ampliar, de forma cuidadosa e responsável, as oportunidades para aprender japonês e conhecer as regras do país, além do apoio à educação das crianças”, concluiu o editorial.






O que vai acontecer é simples, com o aumento das taxas para renovação de vistos, muitos vão decidir ir embora…simples assim!
Serão menos pessoas pagando shakai, menos dinheiro entrando pro nenkin…E a economia japonesa que já não está lá essas coisas, vai colapsar. Um país que tem uma dívida de mais de 200% do PIB, “expulsar a mão de obra” não me parece uma decisão muito assertiva …
O último apague a luz!!!!
Tenho convicção de que, em breve, muitas dessas medidas excessivamente rigorosas adotadas contra estrangeiros serão revistas e, espero, aperfeiçoadas. O Governo Takaichi parece ter buscado reproduzir, em certa medida, a orientação adotada por Donald Trump, procurando atender a uma parcela específica de seu eleitorado e, sobretudo, aos setores mais conservadores e envelhecidos da sociedade japonesa.
Entretanto, políticas excessivamente restritivas em relação aos estrangeiros podem acabar produzindo um efeito contrário ao pretendido. O Japão enfrenta um processo acelerado de envelhecimento populacional e uma crescente escassez de mão de obra. Em diversos setores da economia, a presença de trabalhadores estrangeiros já é indispensável para a manutenção das atividades.
Adotar medidas que dificultem excessivamente a entrada, permanência e integração desses trabalhadores pode, portanto, representar um verdadeiro tiro no próprio pé: empresas poderão enfrentar dificuldades cada vez maiores para preencher postos de trabalho, reduzir sua capacidade produtiva e, em alguns casos, até mesmo encerrar atividades por falta de mão de obra.
O Japão precisa encontrar um equilíbrio entre o controle migratório e a realidade demográfica e econômica do país. Sem esse equilíbrio, medidas concebidas para proteger a sociedade japonesa poderão, paradoxalmente, contribuir para agravar alguns dos problemas que o próprio país já enfrenta.
Acredito que a legislação sobre a nacionalidade japonesa deveria considerar com mais flexibilidade os descendentes de japoneses (nikkeis), principalmente os nascidos no Japão ou criados no país. Garantir o passaporte japonês a esses jovens não apenas seria justo com quem já está integrado culturalmente, como também ajudaria a amenizar a crise demográfica do país.
Crianças que crescem e estudam no Japão criam laços definitivos com a sociedade local e, muitas vezes, não possuem identificação com o país de origem de seus pais.
No meu caso, sendo filha de pais japoneses por ambos os lados, fui educada dentro dos costumes do Japão, apesar de ter nascido no Brasil. Voltei ao país com meus três filhos — dois deles nascidos aqui — em busca de estabilidade. No entanto, sinto que a falta de políticas de acolhimento mais definitivas dificulta que famílias com a nossa trajetória consigam se fixar com tranquilidade.
Sim, verdade e de acordo.
vaza kkkkk japones nw quer nego aq sendo mais um idoso