Tóquio, Japão – A falta de mão de obra é o principal motivo apresentado pelas empresas no Japão para contratar estrangeiros. Segundo uma pesquisa do governo, 68,2% dos estabelecimentos disseram recorrer a esses trabalhadores para reduzir ou amenizar a escassez de pessoal.
O dado faz parte da Pesquisa sobre a Situação do Emprego de Estrangeiros, divulgada pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar. Como os participantes podiam escolher mais de uma resposta, a soma dos percentuais ultrapassa 100%.
A dependência da mão de obra estrangeira é ainda mais evidente em determinados setores. A falta de trabalhadores foi citada por 94,4% dos estabelecimentos agrícolas e florestais e por 93,3% das empresas do setor pesqueiro.
Na construção, o índice chegou a 82,3%. Também apresentaram percentuais elevados as áreas de saúde e assistência social, com 78,3%; indústria, com 77,5%; e hospedagem e alimentação, com 75,9%.
Em comparação com a pesquisa anterior, o percentual geral das empresas que mencionaram a escassez de trabalhadores recuou ligeiramente, de 69% para 68,2%, mas continuou sendo o principal motivo para a contratação de estrangeiros.
Empresas esperam desempenho igual ou superior a japoneses
A falta de pessoal não foi a única justificativa apresentada. Mais da metade dos estabelecimentos, ou 56,2%, afirmou contratar estrangeiros porque espera deles um desempenho igual ou superior ao dos funcionários japoneses. Na pesquisa anterior, a proporção era de 54,7%.
Outros 18,1% disseram buscar maior internacionalização e diversidade no ambiente de trabalho, enquanto 14,1% esperam aproveitar conhecimentos e habilidades que os japoneses não possuem.
Em alguns setores mais especializados, a necessidade de preencher vagas teve um peso menor. Na área financeira e de seguros, por exemplo, 70,5% das empresas destacaram a expectativa de desempenho igual ou superior ao dos japoneses, enquanto 26,9% mencionaram a falta de mão de obra.
Na área de tecnologia da informação e comunicação, 68,9% citaram o desempenho dos profissionais e 40,2% apontaram a escassez de trabalhadores.
Indústria concentra 614 mil estrangeiros
Entre os estabelecimentos abrangidos pela pesquisa, a indústria foi o setor que mais empregou estrangeiros: 614.131 pessoas, o equivalente a 30,1% do total.
Na sequência aparecem os serviços não classificados em outras categorias, com 332.621 trabalhadores; o comércio atacadista e varejista, com 226.986; e a construção, com 177.097.
Hospedagem e alimentação empregavam 151.580 estrangeiros, enquanto o setor de saúde e assistência social reunia 136.999.
Somados, indústria, serviços, comércio e construção concentravam aproximadamente dois terços dos estrangeiros empregados nos estabelecimentos analisados.
O número de trabalhadores estrangeiros abrangidos pelo levantamento chegou a 2.038.878, ante cerca de 1,82 milhão na pesquisa anterior.
Os vistos ligados a atividades profissionais ou qualificações específicas formavam o maior grupo, com 858.085 pessoas, ou 42,1% do total. Nessa categoria estão, entre outros, os vistos de Engenheiro, Especialista em Humanidades e Serviços Internacionais e de Trabalhador com Habilidade Específica.
Os vistos baseados em condição pessoal, como permanente, cônjuge e residente de longo período, somavam 489.102 trabalhadores. Outros 441.887 eram estagiários técnicos.
Comunicação em japonês é principal dificuldade
Apesar da importância dos estrangeiros para preencher as vagas disponíveis, 46,2% das empresas apontaram dificuldades de comunicação relacionadas ao nível de japonês. O percentual aumentou em relação aos 43,9% registrados no levantamento anterior.
O problema foi citado por 56,4% das empresas da indústria e por 53,3% das companhias da construção.
A burocracia para solicitar ou renovar vistos apareceu em segundo lugar, mencionada por 24,8% dos estabelecimentos. Outros 22,4% disseram enfrentar problemas decorrentes de diferenças culturais, de valores ou de hábitos cotidianos.
Além disso, 21,9% citaram os custos para oferecer aos trabalhadores estrangeiros uma estrutura adequada de moradia e vida diária. Essa dificuldade foi apontada por 40% dos estabelecimentos agrícolas, 35,5% daqueles ligados à saúde e assistência social e 31,6% das empresas de construção.
Somente 17,1% responderam que não enfrentam nenhuma dificuldade específica relacionada à contratação de estrangeiros.
Pesquisa tem abrangência limitada
O levantamento considerou empresas com pelo menos cinco funcionários inscritos no seguro-desemprego e que empregavam um ou mais estrangeiros. Foram obtidas respostas válidas de 3.919 estabelecimentos e 14.248 trabalhadores.
Por isso, os 2,04 milhões contabilizados na pesquisa não correspondem ao total de estrangeiros que trabalham no país.
Em outro levantamento mais abrangente, baseado nas notificações obrigatórias apresentadas pelos empregadores, o Ministério informou que o Japão tinha 2.571.037 trabalhadores estrangeiros em outubro de 2025, número recorde e 11,7% maior que o do ano anterior.






Mesmo tendo dados assim,tem empresas japonesas que,mesmo sabendo das dificuldades em encontrar japoneses no mercado,eles optam por não contratar estrangeiros!
Tem imobiliárias que mesmo sabendo que vão ter imóveis ou apartamentos vazios,não alugam para estrangeiros!
Tem fábricas que,mesmo o estrangeiro sabendo falar bem o japonês,por ter nascido no Japão mesmo,ainda assim são rejeitados por terem identidade estrangeira!
O governo só divulga o que interessa para eles,dando impressão que todas empresas aceitam estrangeiros o que na prática,isso não existe!
“…Mais da metade dos estabelecimentos, ou 56,2%, afirmou contratar estrangeiros porque espera deles um desempenho igual ou superior ao dos funcionários japoneses…”
Seria bom se esses 56,2% pagassem um salário tbm “igual ou superior ao dos funcionários japoneses”, mas infelizmente nosso salário é uma fração do salário de um japonês.