Katmandu, Nepal – O número de mortos na tragédia que atingiu o Nepal subiu para 389, informou a polícia do país. Outras 910 pessoas continuam desaparecidas, entre elas cinco japoneses que participavam de uma excursão, segundo informações disponíveis até a manhã desta sexta-feira (28), no horário do Japão.
Os corpos apareceram em oito distritos ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli. A correnteza carregou vítimas por dezenas de quilômetros desde a região de Rasuwa, próxima à fronteira com o Tibete.
No território tibetano, administrado pela China, as autoridades informaram três mortes e 558 desaparecidos, incluindo 260 estrangeiros. Dessa forma, a tragédia já deixou pelo menos 392 mortos e 1.468 desaparecidos nos dois países.
As listas do Nepal e da China, no entanto, podem conter pessoas contabilizadas dos dois lados da fronteira, principalmente turistas que estavam realizando os procedimentos migratórios. Por esse motivo, ainda não existe um total consolidado e sem possíveis duplicações para os desaparecidos.
Família japonesa está desaparecida
O Ministério das Relações Exteriores do Japão confirmou oficialmente que cinco japoneses permanecem sem contato no Nepal. O governo japonês solicitou às autoridades locais cooperação nas buscas.
Segundo a FNN e a TBS, os cinco seriam integrantes da mesma família, incluindo crianças pequenas. Eles participavam de uma excursão organizada por uma agência nepalense.
A família teria atravessado a fronteira, vindo do território chinês, por volta das 8h de quarta-feira. Às 8h51, um motorista nepalense informou à agência que havia encontrado o grupo e que seguiria em direção a Katmandu.
Esse foi o último contato. A família e o motorista continuam desaparecidos e podem ter sido atingidos enquanto circulavam nas proximidades da fronteira.
A primeira-ministra Sanae Takaichi pediu que qualquer pessoa com informações sobre os japoneses entre em contato com a Embaixada do Japão no Nepal.
Corpos encontrados em oito distritos
O balanço divulgado pela polícia mostra que a tragédia atingiu uma área muito maior do que Rasuwa. Corpos foram recuperados em distritos localizados rio abaixo, alguns deles a mais de 100 quilômetros da fronteira.
O Kathmandu Post informou que, em uma atualização anterior, já haviam sido encontrados corpos em Rasuwa, Nuwakot, Dhading, Chitwan, Gorkha, Tanahun e nas regiões leste e oeste de Nawalparasi. O número continuou aumentando durante a noite.
As equipes procuram vítimas nas margens dos rios, em áreas cobertas por lama e nos escombros das comunidades destruídas. Estradas e pontes arrastadas dificultam o acesso terrestre, obrigando as autoridades a utilizar helicópteros para retirar feridos e transportar mantimentos.
Centenas de estrangeiros de mais de 30 países estão entre os desaparecidos. Muitos eram turistas, praticantes de trekking ou peregrinos que seguiam para o monte Kailash e o lago Manasarovar, locais considerados sagrados por diferentes religiões.
Colapso de geleira iniciou sequência de desastres
As primeiras informações apontavam que um terremoto poderia ter provocado a tragédia. Essa hipótese perdeu força depois que o Serviço Geológico dos Estados Unidos analisou os registros sísmicos.
De acordo com o órgão norte-americano, o sinal inicialmente classificado como um terremoto de magnitude 4,4 foi produzido pelo colapso de uma enorme massa de gelo e rochas, seguido por um fluxo de detritos.
O material caiu em um vale e avançou em direção ao rio Lhende, afluente do Bhote Koshi. A avalanche bloqueou o curso da água e formou uma barragem natural. Quando o bloqueio cedeu, uma enorme quantidade de água, lama, pedras e sedimentos desceu pelo vale.
O geólogo Guo Zhaocheng, do governo chinês, afirmou à emissora CCTV que a massa de gelo e detritos avançou a aproximadamente 50 metros por segundo, o equivalente a 180 km/h. O fluxo percorreu mais de 20 quilômetros antes de atingir a passagem fronteiriça e as comunidades dos dois países, de acordo com a Reuters.
Novos lagos aumentam risco
As autoridades do Nepal e da China também monitoram lagos formados pelos detritos que bloquearam rios na região montanhosa.
No Nepal, a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres alertou que a água represada no rio Bhote Koshi continua subindo. O rompimento da barreira natural poderia provocar outra enxurrada.
No Tibete, o governo chinês estima que cerca de 3 milhões de metros cúbicos de água poderão entrar em outro lago represado nos próximos dias. Por isso, autoridades retiraram os moradores das áreas mais vulneráveis preventivamente.
As buscas continuam durante a noite, mas a destruição de estradas, pontes, redes elétricas e sistemas de comunicação ainda impede que as equipes cheguem a algumas das regiões mais atingidas.






2026 está sendo o ano das tragedias.
Ao povo do Nepal e Tibete,meus sentimentos.