Tóquio, Japão – Engenheiro de formação no Brasil e atualmente guia de turismo na cidade de Yokohama (Kanagawa), Carlos Henrique Kato sempre foi um apaixonado pelo Japão e pela fotografia.
Como fotógrafo, diz registrar os sonhos das pessoas sendo realizados neste país onde esteve duas vezes antes de se mudar definitivamente para cá.
Gosta muito de observar a arquitetura do país, e em um dos passeios ao Fórum Internacional de Tóquio, viu um jogo de sombras que achou interessante registrar com sua câmera. “Um mesmo lugar, dependendo da época, muda muito principalmente por causa das estações”, diz. O resultado foi a foto vencedora do 5º Concurso de Fotografia organizado pelo Consulado-Geral do Brasil em Tóquio.
“Os consulados e a Embaixada aspiram uma sociedade mais próspera e adaptada, por isso temos organizado tantos concursos destinados a jovens cidadãos radicados aqui no Japão. Eles visam despertar e estimular os talentos da comunidade brasileira no Japão”, afirmou o cônsul-geral André Chermont de Lima, durante a cerimônia de premiação ocorrida sexta-feira (19), no prédio da Embaixada.
O concurso deste ano teve 48 inscritos residentes nas mais variadas regiões do Japão, e um total de 194 fotografias, todas inéditas, referentes aos três temas propostos nesta edição: “cultura japonesa vista através dos olhos brasileiros”, “arte urbana e arquitetura”, e “tradições brasileiras no Japão”.
O casal de fotógrafos amadores Danilo e Jaqueline Suzuki percorreu mais de 700 km de ônibus em uma viagem que durou onze horas da cidade de Izumo (Shimane) até Tóquio para receber o segundo prêmio. Danilo é o autor da foto premiada, registrada em um templo de Fukui, enquanto a esposa é a sua grande incentivadora. “Vi uma linda iluminação vindo da janela, quando de repente um monge passou correndo. Deu para tirar duas fotos da cena, e uma delas é a que apresentei para o concurso”, conta Danilo.
Assim como ele, Jaqueline tem paixão por fotografia desde criança. “Registro tudo, porque acho fantástico isso de capturar e congelar um momento. Já o Danilo tem um olhar técnico. Ele é dedicado, estuda e aperfeiçoa.”
A terceira colocada no concurso foi Elza Barbosa, que no inverno retornou à península de Noto para fazer a imagem intitulada “Transformação”. Atualmente ela mora em Komatsu (Ishikawa), e residiu em Anamizu (na mesma província) até 13 dias antes do forte terremoto de magnitude 7,6 que atingiu a região. “Era Ano-novo e estávamos fora do Japão. Quando soubemos do desastre, foi muito triste”, lembra. Para participar da cerimônia de premiação, ela e o marido saíram de carro dias antes e aproveitaram a viagem à capital para procurar emprego.
O concurso também premiou com menção honrosa o fotógrafo amador Michel Soares Silva, de Komaki (Aichi). Ele registrou um momento de pescaria no lago Iruka, o segundo maior reservatório do Japão localizado em Inuyama, na mesma província. “Quis registrar a tradição japonesa da pescaria que é passada de geração em geração, e o contraste provocado entre a imagem dos barcos e da água.”
As 12 melhores fotos do concurso, incluindo as quatro premiadas, foram reunidas no calendário 2025 que será entregue no fim do ano. Regiane Yamaguchi é uma dos fotógrafos que terá o trabalho incluído nesse material. Dois anos atrás, ela participou do mesmo concurso e teve a foto publicada em um livro. “Isso é um grande incentivo para melhorarmos sempre”, diz a brasileira, que vive no Japão há 30 anos e reside atualmente na região de Kofu (Yamanashi). A sua filha Giannine faltou à aula no ensino médio nesse dia para ver com orgulho o trabalho da mãe reconhecido e exposto na galeria da Embaixada do Brasil.
Fotos: Fátima Kamata/Alternativa
Embaixador Octávio Côrtes, cônsul-geral André Chermont e os premiados Danilo Suzuki, Carlos Kato, Elza Barbosa e Michel Silva

Regiane Yamaguchi observa calendário 2025 com foto de sua autoria

Casal Danilo e Jaqueline Suzuki: ambos são apaixonados por fotografia





