Otsu, Japão – O jovem Igor Yan da Silva, de 21 anos, vem chamando a atenção no cenário do futebol japonês. Jogador da Universidade Internacional de Kansai, na província de Hyogo, ele se destaca pela habilidade e dedicação em campo — qualidades que já despertaram o interesse de clubes da J-League, a liga profissional do Japão.
Filho de brasileiros, Igor chegou ao Japão em março de 2012, com apenas 7 anos de idade. Segundo o pai, André Kiochi Ribeiro, a adaptação à nova vida não foi fácil.
“No início ele sofreu bastante com as diferenças culturais, principalmente com o idioma”, conta. “Encontramos no futebol uma forma de inseri-lo no ambiente escolar. O que começou como uma brincadeira acabou virando uma paixão.”
Apoio dos pais
Com o apoio da família, Igor começou jogando no clube da escola e logo demonstrou talento. O futebol, que inicialmente serviu como ferramenta de integração, transformou-se no motor de sua motivação e superação.

Igor no time da escola primária Ayana
“Foi um início muito desafiador, pois ele não se sentia motivado no dia a dia. A mudança do Brasil para o Japão foi grande, mas o futebol despertou nele alegria e força de vontade”, relembra o pai, que apoia o filho ao lado da esposa Michelle Cristina da Silva Ribeiro.
“Quando ele estava no quinto e no sexto ano do shougakkou, eu o levava nos treinos do Kyoto Sanga sub-12, depois da escola, em Otsu (Otsu), a uma distância de 1 hora de casa”, conta Michelle.
“Era bem corrido, com jogos aos domingos. Os pais tinham que ir pra ajudar uns aos outros. Essa trajetória no futebol aqui exige muita dedicação dos pais, sem o nosso apoio eles não chegam lá. Mas vendo onde ele está chegando é muito gratificante, tenho muito orgulho”, afirmou.

Mio Biwako Shiga, time do chuugakkou
De Shiga à elite universitária
Depois de passar pelo ensino primário (shougakkou), Igor ingressou no ensino ginasial (chuugakkou) e jogou pelo Mio Biwako Shiga, clube de base de sua província. Seu bom desempenho chamou atenção e o levou a um novo desafio: mudar-se aos 15 anos para Shimane, onde passou a viver em alojamento escolar e jogar por um colégio de alto rendimento esportivo.

Igor no time Rishodai Shonan, do ensino médio
Foram três anos de dedicação intensa, com treinos, competições e campeonatos nacionais.
“Ele só voltava pra casa uma vez por ano. Foi um período difícil, mas muito importante para o crescimento dele como atleta e como pessoa”, diz André.
O esforço deu resultado. Após se destacar nas competições colegiais, Igor recebeu uma bolsa integral da Universidade Internacional de Kansai, algo raro no competitivo ambiente esportivo japonês. Hoje, no terceiro ano da faculdade de Administração, ele disputa a Liga Universitária Japonesa, onde seu desempenho continua chamando atenção de olheiros profissionais.
Sonho de chegar à J-League
A trajetória de Igor não tem sido fácil. Segundo o pai, a rotina da família exigiu sacrifícios financeiros e pessoais para acompanhar o sonho do filho.
“No Japão, as jornadas de trabalho são longas, e conciliar isso com os jogos e treinos é um grande desafio. Mas o apoio dos pais é fundamental. Mesmo com três filhos, nunca deixamos de acreditar.”
Igor já jogou pela seleção da província de Shiga, com a qual participou de um torneio na Dinamarca, onde foram campeões.
Segundo André, a perspectiva é promissora: “Tenho ciência que os clubes profissionais estão monitorando o Igor, porém, a gente mantém os pés no chão e ele está focado no momento, que é fazer bons jogos e se cuidar para que até a conclusão da universidade venham propostas oficiais dos clubes da J-League.”

Os pais André Kiochi Ribeiro e Michelle Cristina da Silva Ribeiro com os três filhos
Inspiração para outras famílias
Mais do que uma história sobre futebol, o caminho de Igor é um exemplo de perseverança e fé familiar.
“A história dele pode inspirar outros pais. No início, tudo depende 100% dos pais acreditarem no talento dos filhos. Mesmo que o sonho profissional não se realize, o importante é o aprendizado, a disciplina e o caminho que isso constrói”, afirma André.
Com talento, disciplina e determinação, Igor segue firme na busca pelo seu sonho — furar a bolha de menos de 1% dos jovens que conseguem um contrato profissional no futebol japonês. E, para o pai, independentemente do resultado, a jornada já valeu a pena.





