Komaki, Japão – O arremessador brasileiro Alexandre Moreti, de 18 anos, do time de beisebol do colégio Homare, assinou na sexta-feira (16) um contrato de ligas menores com o Philadelphia Phillies, da Major League Baseball (MLB), informou o jornal Asahi.
A assinatura foi anunciada durante uma entrevista coletiva realizada na própria escola, em Komaki, na província de Aichi. O valor do contrato gira em torno de 10 mil dólares (cerca de 1,58 milhão de ienes), e o atleta usará o número 86.
Durante a coletiva, Moreti assinou o contrato diante da imprensa e vestiu pela primeira vez o uniforme vermelho dos Phillies. “Quando recebi a proposta, não tive dúvidas e decidi na hora. Quero manter meu estilo de arremesso e me tornar um pitcher que transmita segurança para todos ao redor”, afirmou.
Destro tanto para arremessar quanto para rebater, Moreti nasceu e cresceu em Komaki. Ele começou a carreira no beisebol ainda criança, mas só passou a atuar como arremessador no ensino médio. Seu principal destaque é a bola rápida, que chega a 147 km/h.
O olheiro internacional dos Phillies, Toranosuke Otsuka, elogiou o potencial do atleta. “Ele tem um físico privilegiado, com 1,94 metro e cerca de 100 quilos, além de arremessos que entram na zona de strike e bolas de efeito capazes de eliminar rebatedores”, avaliou.
Embora o colégio Homare não tenha disputado torneios nacionais, Moreti ganhou projeção internacional ao ser convocado, no outono passado, para a seleção brasileira sub-23, que disputou o Campeonato Pan-Americano realizado no Peru. A equipe conquistou a medalha de prata, com contribuição direta do jovem arremessador.
Moreti embarca no domingo (18) para a República Dominicana, onde se juntará à equipe dos Phillies. Determinado, ele não esconde o tamanho do sonho. “Quero um dia enfrentar Shohei Ohtani e conseguir um strikeout. Pretendo aprender todos os dias e continuar evoluindo”, declarou.
A trajetória do atleta também é marcada pelo forte apoio da família. “Sem meus pais, eu não teria conseguido. Eles são insubstituíveis”, afirmou. Moreti escolheu estudar em Komaki justamente para poder contar com a presença constante dos pais. Mesmo durante a fase de crescimento, quando tinha dificuldade para comer verduras, conseguiu ganhar quase 25 quilos graças às refeições preparadas pela mãe, Cristiane, tanto em casa quanto na escola.

O pai, Paulo, de 49 anos, também teve papel fundamental. Desde a época do beisebol infantil, ele se encarrega do transporte do filho e, até hoje, compra vários exemplares de jornais sempre que Moreti aparece nas notícias, para enviar aos parentes que vivem no Brasil. “Ele é meu fã número um”, disse o jogador, emocionado. “Para minha família, só tenho a dizer ‘obrigado por tudo até agora’ e ‘conto com vocês daqui para frente’.”
Contrato de ligas menores
No beisebol profissional dos Estados Unidos, o contrato de ligas menores é um tipo de vínculo firmado entre o jogador e uma franquia da MLB para atuar, inicialmente, nas equipes afiliadas das ligas menores.
Esses times funcionam como base de desenvolvimento, onde os atletas passam por treinamento intensivo, adaptação ao estilo do beisebol profissional e avaliação constante de desempenho.
Diferentemente de um contrato de Major League, o contrato de ligas menores não garante vaga imediata no elenco principal da MLB. O jogador precisa se destacar nas competições e treinos para ser promovido gradualmente até chegar à liga principal.
Ainda assim, esse tipo de contrato é considerado uma porta de entrada importante para jovens talentos internacionais, já que permite crescimento técnico e físico dentro da estrutura de um time da MLB, com a possibilidade de, no futuro, assinar um contrato de Major League.





