Fuchu, Japão – Um brasileiro que cumpre pena de seis anos por tráfico de cocaína afirmou que aceitou atuar como mula porque enfrentava dificuldades financeiras. Ele conversou com a Fuji TV durante uma reportagem sobre a Penitenciária de Fuchu, em Tóquio, onde um em cada quatro detentos é estrangeiro.
“Eu precisava de dinheiro. Foi por isso que fiz”, respondeu o brasileiro, por meio de um intérprete, ao ser questionado sobre o motivo que o levou a cometer o crime.
A Penitenciária de Fuchu abriga 1.735 pessoas, segundo a reportagem da Fuji TV. Desse total, 467 são estrangeiros de 61 países e regiões, o equivalente a aproximadamente 27% da população carcerária da unidade. Nenhum outro presídio japonês concentra tantos detentos de outras nacionalidades.
A proporção, porém, não representa a realidade de todo o sistema prisional japonês. Fuchu é uma das cinco unidades, entre 74 prisões e estabelecimentos relacionados, que possuem um setor especializado no atendimento a estrangeiros. Por isso, recebe detentos de diferentes partes do país.
Celas individuais e camas
A penitenciária mantém uma ala com cerca de 200 celas destinadas aos estrangeiros. Enquanto muitos presos japoneses dormem em futons sobre tatames e dividem o espaço com outras pessoas, essa ala possui piso de madeira e camas.
Os estrangeiros permanecem, em princípio, em celas individuais. De acordo com a reportagem, a medida busca evitar conflitos provocados por diferenças culturais e também leva em consideração episódios anteriores em que grupos de detentos estrangeiros planejaram e executaram fugas.
A instituição ainda precisa superar a barreira do idioma. Uma reportagem anterior da TV Asahi mostrou que a penitenciária reunia, na época da visita, pessoas que falavam 52 idiomas. Sete funcionários especializados conseguiam atender em cerca de 30 línguas, enquanto intérpretes temporários e profissionais externos cobriam as demais.
Alimentação respeita religião e cultura
As diferenças religiosas e alimentares representam outro desafio. A penitenciária prepara refeições sem carne suína para cerca de 40 detentos e também oferece opções vegetarianas. Em alguns casos, substitui o arroz por pão.
O brasileiro entrevistado pela Fuji TV explicou que não come carne de porco por motivos religiosos.
“Por causa da religião, não posso comer. Só não posso comer carne de porco”, afirmou.
No dia da reportagem, enquanto a maioria dos detentos recebeu carne suína, a cozinha substituiu o ingrediente por kōya-dōfu, um tipo de tofu desidratado. Ao todo, 36 presos considerados de bom comportamento preparavam refeições para cerca de 1.700 pessoas.
Funcionários também distribuem questionários em 28 idiomas para conhecer as avaliações dos estrangeiros sobre a comida. Todos os meses, uma equipe analisa o cardápio e discute quais ingredientes podem causar problemas culturais ou religiosos.
Três refeições por ¥592
A penitenciária dispõe de ¥592 por pessoa para preparar as três refeições do dia. Mas o aumento dos preços tornou mais difícil manter os cardápios dentro do orçamento.
Masahiko Watanabe, responsável pelo setor de suprimentos da unidade, disse à Fuji TV que o preço das carnes subiu cerca de 50% em relação ao ano anterior. Segundo ele, o presídio procura atender às restrições dos detentos, mas não consegue aceitar todas as preferências individuais.
A equipe também tenta impedir que o tratamento diferenciado gere insatisfação entre os japoneses. A penitenciária já registrou conflitos provocados pelo tamanho das frutas servidas e pela forma de preparo dos alimentos.
Kimi Onoda, ministra responsável pela política de convivência com estrangeiros, afirmou após conhecer a situação de Fuchu que as diferenças de idioma, cultura e costumes dificultam o tratamento dos detentos. Ela disse ainda que a visita reforçou sua avaliação sobre a necessidade de responder com rigor aos crimes cometidos por estrangeiros.






Quem disse que nâo come carne de porco foi um.Iraniano, ele disse em japonés fluente.