Japão – A escassez de mecânicos especializados levou à paralisação temporária de operações de helicópteros médicos (Doctor-Heli) em diversas regiões do Japão desde julho, impactando diretamente o atendimento a emergências em que cada minuto é decisivo.
Paralisações em 9 províncias
Segundo registros, hospitais de nove províncias tiveram que suspender os voos de 10 helicópteros por períodos que chegaram a uma semana entre julho e agosto. Em Kansai, oito aeronaves ficaram fora de serviço em hospitais de sete prefeituras. Com isso, pacientes de áreas distantes precisaram ser transportados de ambulância ou com apoio de helicópteros de outras regiões, o que aumentou o tempo de resposta.
Casos semelhantes ocorreram em Tóquio, Osaka, Hyogo, Tokushima, Nagasaki e Tottori, entre outras localidades. Somente em Tottori, durante uma semana de suspensão, 14 ocorrências que normalmente exigiriam helicóptero foram atendidas por “doctor-car” ou ambulâncias, prolongando o transporte em situações graves como acidentes industriais e emergências cardíacas.
Risco para pacientes e médicos
Médicos relataram que o deslocamento terrestre pode levar até cinco vezes mais tempo do que o aéreo. Em um dos casos, um paciente em estado de bradicardia demorou mais de 50 minutos para chegar ao hospital, quando de helicóptero o trajeto seria de cerca de 10 minutos. Profissionais de saúde afirmaram que a impossibilidade de usar o helicóptero representou “uma dor tanto para os pacientes quanto para a equipe médica”.
Atualmente, o Japão conta com 57 helicópteros médicos, implantados em todas as províncias. Criado após o terremoto de Hanshin-Awaji e formalizado em 2001, o sistema garante transporte rápido e início precoce do tratamento a cerca de 37 mil pacientes por ano, incluindo casos de acidentes graves e resgates em regiões remotas ou ilhas.
De acordo com as normas nacionais, cada aeronave deve ter a bordo pilotos e também um mecânico responsável por dar suporte técnico. Foi justamente a falta desses mecânicos que obrigou as operadoras a suspender temporariamente os voos.
Foto: Reprodução NHK





