Tóquio, Japão – O debate político promovido pelo programa Nichiyo Touron, da emissora NHK, neste domingo (7), expôs as profundas divisões entre os partidos japoneses sobre a proposta de reduzir o imposto sobre o consumo (shouhizei) de alimentos como medida para conter a inflação.
Enquanto o bloco governista e a oposição divergem sobre os detalhes técnicos da proposta de zerar a taxa por dois anos, o foco no bolso do trabalhador ganhou contornos mais amplos com a intervenção de partidos menores.
A discussão central gira em torno da viabilidade da medida. Representantes do Partido Liberal Democrata (PLD) defendem o cumprimento da promessa eleitoral de reduzir o imposto a zero. Porém, admitem que a engenharia do sistema — que cogita uma taxa intermediária de 1% devido ao tempo necessário para atualizar os caixas registradores do comércio — ainda gera impasses.
Por outro lado, partidos de oposição criticam a lentidão, argumentando que o alívio só chegará aos consumidores daqui a um ano. Em vez disso, eles sugerem auxílios financeiros diretos em dinheiro ainda este ano.
“Salários não acompanham a alta dos preços”
No centro desse embate sobre os percentuais do imposto, o partido Sanseito adotou uma postura que busca ir além do alívio temporário nos alimentos. A parlamentar Mayuko Toyota chamou a atenção para o problema estrutural que asfixia a economia japonesa.
“O maior desafio da economia japonesa é que os salários não acompanham a alta dos preços, impedindo o aumento do salário real”, afirmou.
A legenda defende que olhar apenas para o imposto sobre alimentos é uma solução parcial. De acordo com o posicionamento do Sanseito no debate, o governo deveria articular um pacote completo de fortalecimento da renda. Isso abrangeria discussões sobre o imposto de consumo em sua totalidade e a redução das contribuições de seguro social. Com isso, garantiria que as políticas econômicas reflitam de forma mais fiel as necessidades reais da população.





