Kasugai, Japão – A descoberta de cabeças de cervos em uma área montanhosa de Kasugai (Aichi) levou a polícia a prender um vietnamita de 28 anos por suspeita de caça ilegal. A investigação também revelou indícios de que ele teria abatido e processado javalis sem autorização para vender a carne.
O suspeito foi identificado pela imprensa japonesa como Phan Van Dao, funcionário de uma empresa e morador de Kasugai. De acordo com a TV Aichi, ele foi preso inicialmente em 24 de setembro, sob suspeita de capturar um cervo-japonês ilegalmente, e voltou a ser detido em 14 de outubro por uma suposta violação da Lei de Higiene Alimentar.
O caso começou a ser investigado no fim de junho, quando cabeças de cervos passaram a ser encontradas em diferentes pontos da cidade. Um policial constatou que uma delas apresentava um corte aparentemente feito com uma lâmina afiada, o que levantou a suspeita de caça clandestina.
Em julho, um morador encontrou um cervo enfraquecido e com a pata dianteira presa em uma armadilha de laço, conhecida no Japão como kukuri wana. O equipamento estava instalado em uma área montanhosa frequentada por famílias e crianças que procuram besouros durante o verão.
Moradores alertaram que uma pessoa poderia pisar acidentalmente no mecanismo e sofrer ferimentos graves, como fraturas. Além disso, uma escola da região também orientou os alunos a não se aproximarem da área.

Armadilha estava fora das normas
A polícia suspeita que Phan tenha instalado a armadilha por volta de 15 de julho, fora da temporada regular de caça, e capturado o cervo junto com pelo menos outra pessoa.
De acordo com as regras divulgadas pelo governo de Aichi, a temporada de caça na província em 2026 começa em 15 de novembro e termina em 15 de fevereiro de 2027, somente para pessoas com licença. Para javalis e cervos, o período se estende até 15 de março em determinadas áreas.
Além disso, o laço encontrado tinha diâmetro superior ao limite permitido. As normas do Ministério do Meio Ambiente estabelecem, em regra, um máximo de 12 centímetros para esse tipo de armadilha usada na captura de cervos e javalis. O equipamento também deve ter dispositivos que evitem o aperto excessivo e reduzam o risco de ferimentos.
A polícia apreendeu armadilhas, facões, serras e outros objetos utilizados na captura e no corte dos animais. Registros encontrados no celular do suspeito também indicariam a participação de outras pessoas.
Javalis cortados dentro de empresa
Durante a investigação, a polícia descobriu que o vietnamita teria cortado dois javalis dentro de uma empresa em Kasugai, com o objetivo de vender a carne.
Os episódios teriam ocorrido em 27 de agosto de 2025 e 23 de março de 2026. De acordo com a polícia, ele teria usado facas e serras, sem autorização do centro de saúde pública responsável pela região.
No Japão, quem processa comercialmente animais silvestres destinados ao consumo precisa ter uma licença específica. O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar determina que restaurantes e estabelecimentos comerciais só podem adquirir carne de caça processada em instalações autorizadas pela Lei de Higiene Alimentar.
As diretrizes sanitárias de Aichi também estabelecem cuidados desde a captura e o transporte até o processamento, a venda e o consumo. Essas medidas procuram evitar contaminações e outros riscos associados à carne de animais silvestres.
Em depoimento, Phan teria afirmado que realmente vendeu os javalis como carne, mas que não sabia da necessidade de autorização. Por esse motivo, negou a acusação. Ele também teria negado envolvimento na caça ilegal do cervo.
Assim, a polícia investiga quanto dinheiro o suspeito obteve com as vendas e procura possíveis cúmplices, incluindo outro homem aparentemente vietnamita visto na região onde as armadilhas estavam instaladas.





