Genebra – A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou neste domingo (17) que o surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo e em Uganda representa uma “emergência de saúde pública de interesse internacional”.
Segundo a agência da ONU, o surto é causado pelo vírus Bundibugyo e, apesar de ainda não atender aos critérios de uma pandemia, os países que fazem fronteira terrestre com a República Democrática do Congo enfrentam alto risco de disseminação da doença.
OMS alerta para possível subnotificação de casos
A OMS informou que, até sábado, haviam sido registradas 80 mortes suspeitas. Além disso, há oito casos confirmados em laboratório e 246 infecções na província de Ituri, no leste do Congo.
Os casos surgiram em pelo menos três zonas de saúde, incluindo Bunia, Rwampara e Mongbwalu.
Na sexta-feira, o Ministério da Saúde do Congo já havia informado que 80 pessoas morreram no novo surto na província oriental.
De acordo com a OMS, existe a possibilidade de o número real de infecções ser muito maior do que o atualmente detectado e relatado. A agência citou a alta taxa de positividade das amostras iniciais e o aumento contínuo de casos suspeitos.
Vírus Bundibugyo preocupa por falta de vacinas e tratamentos
A OMS classificou o surto como “extraordinário” porque ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados para o vírus Bundibugyo, ao contrário do que ocorre com cepas do Ebola-zaire.
A agência afirmou que o surto entre Congo e Uganda representa risco de saúde pública para outros países. O órgão destacou que já houve registros documentados de disseminação internacional.
Diante disso, a OMS recomendou que os países ativem mecanismos nacionais de emergência e gestão de desastres, além de reforçarem a triagem em fronteiras e em principais rodovias internas.
Casos também registrados em Kampala e Kinshasa
Na capital de Uganda, Kampala, dois casos confirmados em laboratório — incluindo uma morte — surgiram entre sexta-feira e sábado em pessoas que viajaram da República Democrática do Congo.
A OMS informou ainda que um caso confirmado também apareceu em Kinshasa, capital congolesa, em uma pessoa que retornava da província de Ituri.
A agência orientou que contatos e pacientes com suspeita ou confirmação da doença causada pelo vírus Bundibugyo não realizem viagens internacionais, exceto em casos de evacuação médica.
Além disso, a OMS recomendou o isolamento imediato dos casos confirmados e o monitoramento diário de contatos próximos. E, ainda, restrições de viagens nacionais e proibição de viagens internacionais até 21 dias após a exposição ao vírus.
OMS pede que países não fechem fronteiras
Apesar do alerta internacional, a OMS pediu que os países não fechem fronteiras nem imponham restrições ao comércio e às viagens por medo da doença.
Segundo a agência, esse tipo de medida pode incentivar travessias informais de fronteira sem monitoramento sanitário, aumentando o risco de propagação do vírus.





