Atualizado em: 15/08/2024 09:31
Londres – A Organização Mundial da Saúde (OMS) encerrou o status de emergência global para a Covid-19 na sexta-feira (5), mais de três anos após sua declaração original, e disse que os países devem agora administrar o vírus que matou mais de 6,9 milhões de pessoas junto com outras doenças infecciosas.
O Comitê de Emergência da agência global de saúde se reuniu na quinta-feira e recomendou que a organização da ONU declarasse o fim da crise do coronavírus como uma “emergência de saúde pública de interesse internacional” – seu mais alto nível de alerta – que está em vigor desde 30 de janeiro de 2020.
“Portanto, é com grande esperança que declaro o fim da Covid-19 como uma emergência de saúde global”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, acrescentando que o fim da emergência não significa que a Covid-19 deixou de ser uma ameaça à saúde global.
Durante uma longa teleconferência para informar a imprensa sobre a decisão, alguns membros da OMS ficaram emocionados ao pedir aos países que refletissem sobre as lições aprendidas durante a pandemia.
“Não podemos esquecer aquelas piras de incêndio. Não podemos esquecer as sepulturas que foram cavadas. Nenhum de nós aqui em cima vai esquecê-las”, disse a líder técnica da OMS em Covid-19, Maria Van Kerkhove.
A taxa de mortalidade da Covid-19 diminuiu de um pico de mais de 100.000 pessoas por semana em janeiro de 2021 para pouco mais de 3.500 na semana até 24 de abril de 2023, de acordo com dados da OMS, refletindo vacinação generalizada, disponibilidade de melhores tratamentos e um nível maior de imunidade adquirida em infecções anteriores.
Acabar com a emergência pode significar que a colaboração internacional ou os esforços de financiamento também serão encerrados ou mudarão de foco, embora muitos já tenham se adaptado à medida que a pandemia recuou em diferentes regiões.
“A batalha não acabou. Ainda temos fraquezas e as fraquezas que ainda temos em nosso sistema serão expostas por este vírus ou outro vírus. E isso precisa ser consertado”, disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan.
A OMS não declara o início ou o fim das pandemias, embora tenha começado a usar o termo para Covid-19 em março de 2020.
“Na maioria dos casos, as pandemias realmente terminam quando a próxima começa”, disse Ryan.
No ano passado, o presidente dos EUA, Joe Biden, disse que a pandemia havia acabado. Como vários outros países, a maior economia do mundo começou a desmantelar seu estado de emergência para a Covid-19, que termina oficialmente em 11 de maio, o que significa que deixará de pagar por vacinas e testes para muitas pessoas e transferirá a responsabilidade para o mercado comercial.
A União Europeia também disse em abril do ano passado que a fase emergencial da pandemia havia terminado, e outras regiões tomaram medidas semelhantes.
‘PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA SIGNIFICATIVO’
A declaração da OMS ocorre apenas quatro meses depois que a China encerrou suas restrições prolongadas e severas de Covid-19 e foi devastada por um grande aumento de infecções.
A decisão também sugere que os conselheiros da OMS acreditam que é improvável que uma nova variante mais perigosa do coronavírus surja nos próximos meses, embora o vírus permaneça imprevisível.
“Não hesitarei em convocar outro comitê de emergência caso a Covid-19 mais uma vez coloque nosso mundo em perigo”, disse o chefe da OMS, Tedros.
Em muitas partes do mundo, os testes diminuíram drasticamente e as pessoas pararam de usar máscaras. A OMS publicou um plano esta semana aconselhando os países sobre como viver com a Covid-19 a longo prazo.
A doença continuará a desafiar os sistemas de saúde em todo o mundo a longo prazo, dizem especialistas em doenças infecciosas. “Ninguém deve entender (isso) como significando que a Covid-19 não é mais um problema”, disse Mark Woolhouse, epidemiologista da Universidade de Edimburgo.
“Ainda é um problema de saúde pública significativo e parece provável que continue sendo um no futuro previsível”.
Foto: Reuters





