Atualizado em: 03/04/2024 15:56
Tóquio, Japão – A aeronave da Guarda Costeira do Japão que colidiu com um avião da Japan Airlines no aeroporto de Haneda, em Tóquio, não tinha permissão para entrar na pista, segundo as comunicações de controle de voo divulgadas na quarta-feira (3) pelo Ministério dos Transportes do Japão, publicou a Kyodo News.
Já a Guarda Costeira continua informando que o capitão de sua aeronave, que sobreviveu ao acidente do dia anterior, no qual morreram seus cinco colegas, disse aos seus investigadores que tinha recebido autorização para entrar na pista onde ocorreu a colisão.
“Na transcrição das comunicações não havia nada que pudesse ser considerado como permissão para entrar na pista (para o avião da Guarda Costeira)”, assegurou Toshiyuki Onuma, vice-diretor geral sênior do Departamento de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, em uma coletiva de imprensa.
A informação deixou o clima tenso, com um oficial da Guarda Costeira presente na conferência de imprensa, ao reconhecer uma discrepância entre os dados de comunicação e o que o capitão disse aos investigadores. Ele assegurou, porém, que a Guarda Costeira irá cooperar plenamente com a polícia e as autoridades de transporte nas investigações.
Segundo os dados transmitidos pelo ministério, as últimas comunicações entre os controladores de tráfego aéreo e a aeronave da JAL ocorreram cerca de 2 minutos antes da colisão. A torre de controle teria informado ao piloto da companhia aérea que a pista estava livre para pouso.
Já o piloto da Guarda Costeira contatou a torre pela última vez no período para dizer “táxi para o ponto de espera” ao reler suas instruções, de acordo com os dados.
O ponto de espera é um local onde um avião aguarda autorização para entrar na pista, de acordo com o Ministério dos Transportes.
O ministério assegurou que o controle de tráfego foi conduzido de forma adequada antes da colisão, baseado nas comunicações contidas na transcrição.
A JAL informou na quarta-feira que seus tripulantes disseram que prosseguiram com o pouso após liberação da torre e que nenhuma anormalidade foi detectada durante o voo da aeronave.
A empresa afirmou que nenhum dos três pilotos a bordo teve contato visual com o avião da Guarda Costeira quando ele entrou na pista, sendo que os pilotos não discutiram abortar a aproximação, informou a NHK.
O diretor executivo da JAL, Tadayuki Tsutsumi, disse em entrevista: “Cabe às investigações em andamento ver se fizemos algo errado, mas achamos que realizamos nossas operações como de costume.”
O Conselho de Segurança dos Transportes do Japão, agência responsável por investigar acidentes graves envolvendo aviões, trens e navios, examinou os destroços da aeronave na quarta-feira.
Seus investigadores disseram que recuperaram o gravador de voo e de voz da aeronave da Guarda Costeira, mas que ainda procuravam o do avião da JAL.
A polícia metropolitana de Tóquio também iniciou uma investigação sobre o acidente com base na suspeita de negligência profissional, resultando em mortos e feridos.
O choque entre as duas aeronaves, registrado às 17h47, forçou o fechamento temporário de todas as quatro pistas do aeroporto mais movimentado do Japão.
Na terça-feira, todas as pistas, exceto aquela onde ocorreu a colisão, foram reabertas, após o cancelamento de muitos voos.
Apenas a JAL precisou cancelar mais de 40 voos domésticos com partida e chegada ao aeroporto de Haneda na quarta-feira. A All Nippon Airways Co (ANA) suspendeu 50 voos domésticos, afetando também alguns com destino no exterior.
Todos os 379 passageiros e tripulantes a bordo do JAL Airbus A350 escaparam, com 14 sofrendo ferimentos leves, apesar de o avião ter pegado fogo imediatamente após a colisão, disse a empresa. O incêndio só foi controlado totalmente mais de oito horas depois.
A ação da tripulação vem sendo elogiada nas redes sociais e por veículos de imprensa estrangeira. A fuga de todos durou 18 minutos, com executivos da JAL alegando que seus programas de treinamento para esta e outras situações valeram a pena.
A fabricante da aeronave da JAL, a Airbus SAS, informou na terça-feira que enviará uma equipe de especialistas “para fornecer assistência técnica” ao conselho de segurança do Japão. Além disso, expressou tristeza pela morte dos membros da guarda costeira.
A aeronave estava equipada com motores fabricados pela britânica Rolls-Royce e foi recebida em novembro de 2021.
O avião da Guarda Costeira é um Bombardier DHC8-300 baseado no aeroporto de Haneda. Ele estava se preparando para seguir para a província de Niigata para levar suprimentos às vítimas do terremoto.
Foto: Reprodução/Kyodo





