Atualizado em: 03/04/2024 14:11
Tóquio, Japão – O extinto grupo terrorista Frente Armada Anti-Japão do Leste Asiático (Higashi Asia Han-nichi Busou Sensen / 東アジア反日武装戦線) voltou a ser destaque nos noticiários na sexta-feira (26), após a descoberta de um homem que diz ser Satoshi Kirishima, que era militante do grupo e estava sendo procurado pela polícia há quase 50 anos por atentados a bomba em Tóquio na década de 1970.
Entre 1974 e 1975, a Frente Armada Anti-Japão cometeu uma série de atentados a bomba contra empresas, sendo um dos mais notórios a explosão do edifício da Mitsubishi Heavy Industries, que matou oito pessoas e feriu cerca de 380, segundo a emissora Fuji TV.
Esse grupo, composto por militantes que levavam uma vida aparentemente normal, como funcionários de empresas e atendentes de cafeterias, escondia suas atividades terroristas, fabricando bombas em esconderijos secretos.
O número de incidentes com bombas no Japão aumentou significativamente na época, com 22 casos em um ano. As bombas utilizadas eram cada vez mais sofisticadas, evoluindo de dispositivos de ignição simples para bombas temporizadas e mais potentes.
Um dos principais contribuidores para essa sofisticação foi a publicação do manual de fabricação de bombas chamado “Hara Hara Tokei”, escrito clandestinamente pelo grupo Ookami (Lobo), que fazia parte da Frente Armada. Este livro instruiu muitos terroristas na fabricação de bombas mais eficientes.
A polícia, ao analisar os padrões dos atentados e as publicações do grupo, conseguiu eventualmente rastrear e prender vários membros, solucionando 15 casos de atentados a bomba. No entanto, Kirishima, um dos suspeitos, permaneceu foragido.
Um relatório policial de 1976 explora as motivações por trás desses atentados. Segundo a análise, os membros do grupo acreditavam que trabalhadores comuns no Japão haviam perdido o ímpeto revolucionário e que minorias discriminadas, como os Ainu, residentes coreanos e trabalhadores diaristas, seriam os verdadeiros agentes de uma revolução. Essa crença levou-os a atacar grandes empresas de construção e outras corporações que eles viam como opressoras dessas minorias.
Após quase 50 anos de fuga, Kirishima, agora com câncer terminal aos 70 anos, foi encontrado pela polícia enquanto usava um nome falso em um hospital em Kanagawa. Embora a confirmação de sua identidade ocorra somente após exames de DNA, há muitas questões sobre o que ele fez durante esses anos, se ele se arrepende de suas ações e se ainda acredita nos ideais que o levaram a cometer tais atos de terrorismo.
Foto: Reprodução/Nishi Nippon Shimbun
Atentado a bomba na sede da Mitsubishi Heavy Industries, em Tóquio, na década de 1970





