Atualizado em: 03/04/2024 12:43
Tóquio, Japão – Um grupo de estudantes universitários decidiu aprender como agir para prevenir a ocorrência de suicídios entre amigos ou pessoas próximas, noticiou a Kyodo News.
Esses estudantes são incentivados pelo professor de sociologia, Jin Ota, de 68 anos, que ministra um seminário baseado em seu senso de urgência, ao ver tantos jovens perdendo o gosto pela vida.
Entre os tópicos discutidos entre o professor e os alunos estão cyberbullying e evasão escolar entre crianças.
O professor Ota explica: “Gostaríamos de conseguir um avanço na situação atual, educando jovens para que possam salvar outros do desespero.”
Em uma palestra, Ota disse que quando uma pessoa diz que “deseja morrer”, na verdade ela está enviando um pedido de socorro, que seria o mesmo que dizer: “Estou com tanta dor que quero morrer. Mas eu quero realmente é viver”.
Um de seus alunos conseguiu reconhecer esse sinal de alerta em um colega de trabalho e prestou apoio necessário para dissipar qualquer ideia mais radical.
Dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar apontam que o suicídio continuou a ser a principal causa de morte no Japão entre jovens de 15 a 39 anos durante a última década (2013-2022).
O número de estudantes do ensino fundamental, médio e universitário que tiraram a própria vida aumentou para 514 em 2022, o maior já registrado.
As causas e motivos mais comuns entre pessoas na faixa dos 20 anos foram questões de saúde e de trabalho, bem como problemas econômicos.
A decisão de Ota em fazer um seminário sobre o assunto surgiu após uma pesquisa realizada em setembro de 2022, que revelou que metade dos 557 estudantes entrevistados em várias universidades, incluindo a de Nara, se considera “inútil” ou “substituível a qualquer momento”.
A partir daí ele passou a ensinar seus alunos sobre como atuar para prevenir o suicídio entre jovens.
Uma aluna do terceiro ano de psicologia, de 21 anos, disse que entende o desejo de alguém querer se matar. Ela comentou que sofreu abuso sexual quando era estudante do ensino médio, e como não conseguiu lidar bem com a turbulência emocional da experiência traumatizante, começou a se automutilar por algum tempo.
Felizmente, após consultar algumas pessoas, a aluna decidiu seguir em uma profissão que ajudasse as pessoas a curar feridas emocionais, e desde então estuda Psicologia na Universidade de Nara.
Ela disse que ao aprender sobre as feridas emocionais de outros jovens, encontrou alívio para seu próprio trauma emocional.
A taxa de suicídio entre os jovens no Japão está entre as mais altas no Grupo dos Sete países mais industrializados, e são urgentemente necessárias contramedidas, dizem os especialistas.
O professor Ota disse que muitos jovens não ligam quando um amigo diz que quer morrer, considerando tal revelação como tola ou que não vale a pena ser discutida.
Nesses casos, o professor recomenda que as pessoas façam uma pausa e descubram por que um amigo está sofrendo. “Uma palavra de encorajamento pode salvar a vida de alguém”, sublinhou.
Onde buscar ajuda?
Caso o leitor esteja passando por momentos muito difíceis ou conheça alguém nas mesmas condições, existem vários serviços no Japão para prestar apoio.
Um deles é o Kokoro no Kenko Soudan Touitsu Dial (こころの健康相談統一ダイヤル), número 0570-064-556, e outro é o Inochi no Denwa (いのちの電話), número 0570-783-556, em japonês.
Mas existem outros serviços em português:
• Disque Sabja (Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão)
Assunto geral e aconselhamento psicológico: de 2ª a 6a, das 10h às 16h. Tel.: 050-6861-6400
• LAL (Linha de Apoio aos Latinos)
Às quartas, das 10h às 21h; sextas, das 19h às 21h; sábados, das 12h às 21h Tel.: 0120-66-2488 ou 045-336-2488 (português) e 0120-66-2477 ou 045-336-2477 (espanhol)
• Linha da Vida/Inochi no Denwa (Hamamatsu)
Atendimento em português
Sextas-feiras, das 19h30 às 21h30
Tel.: 0120-428-333 ou 080-3068-0333 (WhatsApp)
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