Atualizado em: 03/04/2024 12:33
Hyogo, Japão – O diretor de uma escola secundária perdeu o emprego e o salário de aposentadoria, estimado em cerca de 20 milhões de ienes (US$ 135 mil), como punição por encher demais seu copo de café – e pagar menos por isso – em uma loja de conveniência na cidade de Takasago, província de Hyogo, noticiou o jornal Asahi.
O Conselho de Educação local está sendo criticado pela severidade da punição, classificando-a como uma “sentença de morte” por um delito de pequena perda monetária.
O Conselho informou que o diretor pagou 110 ienes por um copo de café em uma loja de conveniência. O preço é de um copo de tamanho normal na máquina de autoatendimento no dia 21 de dezembro.
Mas um funcionário da loja teria notado que o diretor encheu a xícara apertando o botão de copo grande, que custa 180 ienes.
Ao ser questionado pelo funcionário, o diretor, de 59 anos, admitiu que apertou o botão para ter uma quantia maior de café. Além disso, teria admitido que havia agido assim duas vezes na mesma loja.
A polícia considerou o caso como suspeita de roubo ao Ministério Público do Distrito de Kobe. Embora tenham reconhecido o roubo, os promotores decidiram não indiciar o diretor.
Ao ser confrontado por membros do Conselho, o diretor disse que agiu por impulso e que estava “verdadeiramente arrependido” por sua má conduta.
No setor público existem quatro níveis de punição disciplinar para funcionários. A demissão é a mais severa, seguida de suspensão do trabalho, redução salarial e repreensão.
Segundo as diretrizes em Hyogo, um funcionário público que tenha roubado algo deve ser suspenso do trabalho ou despedido.
O Conselho decidiu demitir o diretor em 30 de janeiro, revogando sua licença de ensino e perdendo também o pagamento da aposentadoria, por encher demais os copos de café na loja.
Um representante do Conselho disse: “Revisamos as ações disciplinares anteriores e concluímos que a demissão é apropriada em caso de reincidência.”
Já o professor de educação pública da Universidade Feminina do Japão, Takashi Sakata, vê a punição como “desproporcionalmente severa”.
Ele reconhece que o diretor merece ter uma punição severa, já que deveria dar exemplo de moralidade aos estudantes e ser modelo para outros professores.
Porém, os prejuízos causados à loja foram pequenos, afirmou Sakata.
“A perda da licença de ensino e do pagamento da aposentadoria tem um impacto significativamente maior do que as perdas pelas quais o diretor foi responsável”, disse ele.
Para Sakata, o Conselho deveria ter tratado o assunto com cautela, considerando o equilíbrio geral e as consequências.
“A decisão do conselho dá a impressão de que eles apenas seguiram a formalidade dos precedentes”, disse ele.
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