Atualizado em: 03/04/2024 11:57
Tóquio, Japão – A prática de estelionato, ou fraude, é bastante comum no Japão, em geral visando idosos. Mas os criminosos que praticam este crime têm técnicas para enganar suas vítimas, de um modo que elas só notarão que caíram em um golpe um tempo depois. Foi o que ocorreu com uma senhora de 70 anos de idade da cidade de Kawanishi, na província de Hyogo, que entregou seu cartão de crédito para fraudadores e perdeu 1,9 milhão de ienes, noticiou o Sankei.
O crime ocorreu no dia 18 de outubro de 2023, quando o telefone da casa da mulher tocou por volta das 10h. Ela não costuma atender ligações anônimas, mas viu um número de telefone exibido no aparelho e atendeu. Era um homem que dizia ser funcionário da rede de lojas Don Quijote.
Ele disse: “Uma pessoa está usando o cartão de crédito da senhora em uma loja. Ela está tentando comprar um relógio que custa 70.000 ienes”. Ao fundo a mulher ouve vozes. O homem então pede para ela entrar em contato com uma entidade de direitos dos consumidores. Ela liga e depois passa a receber ligações dessa entidade a cada 30 minutos, com alguém explicando os procedimentos da suspensão do cartão de crédito dela, para que ninguém possa usá-lo.
A pessoa do outro lado da linha alerta a vítima para que não fale com ninguém. A mulher disse para as autoridades na época que chegou a confiar completamente naquelas pessoas.
O próximo passo dos fraudadores é conseguir o cartão de crédito verdadeiro da vítima.
No mesmo dia 18, à tarde, aparece um homem com cerca de 30 anos em sua casa. Ele vestia terno e fingia ser da associação que ela ligou. Ele apenas pediu para ela entregar seu cartão de crédito em um envelope para evitar que fosse roubado, para entregar à polícia. A mulher faz o que o homem pede e ele se vai.
Duas horas depois o homem volta, entregando o envelope para ela e pedindo para que guarde o cartão de crédito em segurança. A mulher confiou tanto naquela figura que chegou a convidá-lo para entrar para tomar suco.
Após o homem ir embora, a mulher continuou recebendo ligações da entidade. Pediram então para ela definir uma nova senha para seu cartão, e assim o fez.
Mais tarde, quando ela contou a história para seu esposo, ele disse para chamar a polícia. Mas a mulher tinha tanta fé de que se tratavam de pessoas boas, que se recusou.
A realidade veio no dia seguinte, com alguém do banco onde ela tem conta dizendo que ocorreram múltiplos saques, num total de 1,7 milhão de ienes. Foi aí que a mulher percebeu, aturdida, que havia sido enganada.
Quando ela abriu o envelope que o homem havia entregado a ela, havia um cartão, que não era o dela. Foi só aí que ela ligou para a polícia. Desde então ela não recebeu mais ligação da tal associação ou das pessoas que a procuraram.
No total, seu prejuízo foi de 1,9 milhão de ienes. A vítima ficou tão abatida que passou duas semanas sem conseguir dormir.
Hoje, por recomendação da polícia, seu telefone fixo residencial está equipado com um dispositivo especial com função de gravação para evitar fraudes especiais. No entanto, o sentimento de arrependimento persiste.
A mulher lamenta isso, dizendo: “Olhando para trás, havia muitas coisas suspeitas. Se eu achasse que algo estava errado, deveria ter consultado imediatamente alguém em quem confiasse”. A polícia não conseguiu prender os suspeitos.
Foto: Reprodução





