Tóquio, Japão – O número de casos de coqueluche (hyakunichi seki/百日せき) no Japão continua crescendo rapidamente. Na semana encerrada em 20 de abril, foram registrados 1.884 novos relatos da doença em todo o país — o maior número semanal desde que o sistema atual de monitoramento foi adotado em 2018.
É o quarto aumento recorde consecutivo, com uma alta de 600 casos em relação à semana anterior, segundo dados divulgados pelo governo nesta quarta-feira (30).
A coqueluche é uma doença infecciosa caracterizada por tosse intensa e persistente, que pode durar de duas a três semanas. Em bebês, especialmente os que ainda não receberam a vacina, a doença pode evoluir para casos graves ou até ser fatal. O atual surto tem afetado principalmente crianças.
Além do aumento expressivo nos números, autoridades de saúde relataram casos graves e mortes em recém-nascidos que ainda não haviam recebido a vacina e infecções por bactérias resistentes aos antibióticos tradicionalmente usados no tratamento.
A Sociedade Japonesa de Pediatria recomenda que bebês recebam a vacina assim que completarem 2 meses de idade, dentro de programa de imunização das prefeituras, considerando que essa é a melhor forma de evitar complicações.
Pesquisas recentes lideradas pela Universidade de Osaka indicam que a vacinação de gestantes pode transferir anticorpos para os bebês, protegendo-os nos primeiros meses de vida — prática já adotada em países como Austrália, EUA e Reino Unido.
No entanto, o Japão ainda não aprovou as vacinas específicas usadas no exterior para esse tipo de imunização. Mesmo assim, a vacina tríplice nacional (que inclui a coqueluche) pode ser administrada em gestantes, e estudos sugerem que ela também proporciona transferência de anticorpos, embora a eficácia na prevenção de casos graves ainda não esteja comprovada.
Como prevenir a doença
A coqueluche é uma doença respiratória altamente contagiosa causada por uma bactéria chamada Bordetella pertussis. A transmissão ocorre principalmente pelo ar, por meio de gotículas de saliva expelidas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. Ambientes fechados e com aglomeração facilitam a propagação da doença.
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção, a partir dos 2 meses de idade.
Evitar o contato próximo com pessoas com tosse persistente e manter bons hábitos de higiene, como lavar as mãos com frequência e cobrir a boca ao tossir, também são medidas importantes para crianças e adultos.
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