TÓQUIO – Grandes e pequenas empresas no Japão relatam aumento significativo de abusos cometidos por clientes em meio à crise do custo de vida. Assédio, exigências irracionais e até episódios de violência levaram companhias a reforçar a proteção de seus funcionários com novas medidas de segurança.
Uma pesquisa do jornal Asahi Shimbun com 100 das principais empresas do país revelou que 87 delas já adotaram ou planejam adotar medidas contra abusos de clientes. Entre as iniciativas estão a instalação de câmeras, a mudança na forma de identificação dos funcionários e até a suspensão do atendimento a clientes considerados intransigentes.
A Seibu Railway Co., por exemplo, distribuiu câmeras corporais para funcionários de 82 estações em março. O equipamento é ativado apenas em situações necessárias e os dados são apagados após um período determinado. A empresa também instalou câmeras com captação de áudio em grandes estações, como Ikebukuro e Seibu-Shinjuku, e colocou cartazes alertando contra o assédio.
Questões de privacidade também levaram companhias a alterar os crachás de identificação. A Sompo Japan Insurance passou a permitir que funcionários mostrem apenas o sobrenome, enquanto a rede de conveniência Lawson autoriza o uso de iniciais ou títulos oficiais, após casos em que nomes de atendentes foram expostos em redes sociais por clientes insatisfeitos.
Em situações mais graves, algumas empresas optam pela tolerância zero. A companhia aérea ANA, relatou casos de passageiros que exigiram alterações em passagens não reembolsáveis e reagiram com violência, levando a companhia a se reservar o direito de recusar o embarque. Já a Secom, uma empresa de segurança, instituiu em fevereiro uma política oficial contra abusos, afirmando que seus trabalhadores são prioridade, mesmo que isso implique perda de contratos.
Segundo a pesquisa, 67 empresas elaboraram manuais internos e criaram mesas de consulta para apoiar trabalhadores vítimas de abusos. Outras 61 organizaram sessões de treinamento e 25 suspenderam o acesso de clientes considerados violentos ou abusivos.
Com a revisão das leis trabalhistas, todas as empresas no Japão serão obrigadas a adotar medidas formais de proteção contra abusos até o final de 2026. Especialistas alertam que, sem ações firmes, a violência física e mental no atendimento ao público pode levar cada vez mais trabalhadores a pedir licença ou abandonar seus empregos.





