Tóquio, Japão – A Polícia Metropolitana de Tóquio divulgou na terça-feira (12) a prisão quatro membros de uma mesma família suspeitos de manter uma menina em cárcere privado dentro de um armário adaptado na própria residência, além de submetê-la a maus-tratos que resultaram em ferimentos e hipotermia.
A polícia prendeu os pais da vítima, ambos na faixa dos 40 anos, e dois irmãos, na faixa dos 20 anos. Segundo as investigações, a menina, que tem problemas de desenvolvimento e necessita de cuidados especiais, ficou confinada por vários dias no fim de janeiro deste ano.
De acordo com a polícia, a menina teve mãos e pés presos por ferragens instaladas dentro do armário, permanecendo imobilizada. Ela apresentava quadro de hipotermia – temperatura do corpo abaixo do normal – quando as autoridades a encontraram.
A vítima também estava em estado de desnutrição e pesava cerca de 10 quilos abaixo da média para sua idade, segundo o jornal Yomiuri. Atualmente, ela está se recuperando no hospital.
Armário adaptado para impedir saída
Segundo o jornal Asahi, o armário utilizado como cela media aproximadamente 1,70 metro de largura, com cerca de 80 centímetros de altura e profundidade.
A porta deslizante original teria sido removida e substituída por uma estrutura de madeira com fechadura, que só podia ser aberta pelo lado de fora. Ferragens foram instaladas nas paredes internas para prender mãos e pés da menina.
Ainda segundo o Asahi, a família afirmou à polícia que modificou o armário em setembro do ano passado especificamente para manter a jovem imobilizada.
Câmeras de monitoramento instaladas na residência registraram momentos em que familiares colocavam a adolescente dentro do armário, segundo informações do Yomiuri Shimbun
“Era para disciplinar”, disse a mãe
Durante os interrogatórios, a mãe declarou que as ações eram “para disciplinar” a filha. Os pais negaram parcialmente as acusações de conspiração, enquanto um dos irmãos afirmou que “não queria falar nada”.
A polícia também investiga a possibilidade de abusos contínuos e prolongados. A adolescente apresentava hematomas e marcas de fraturas antigas nas costelas e na parte superior do corpo.
Segundo o Yomiuri, a vítima estava há muito tempo sem frequentar a escola.
Caso veio à tona após ligação para emergência
O caso veio a tona na noite de 28 de janeiro, quando a mãe ligou para o serviço de emergência dizendo que “o corpo da filha estava frio”.
Após o atendimento, o hospital acionou os bombeiros e a polícia ao suspeitar de abuso infantil.
As investigações revelaram ainda que o conselho tutelar japonês (jidou soudansho) já havia recebido denúncias de possível violência contra a menina dias antes da descoberta do caso.
Segundo o Asahi Shimbun, o órgão recebeu uma denúncia em 26 de janeiro relatando suspeita de abuso físico, mas a visita de confirmação de segurança estava prevista apenas para o dia 29 — três dias depois.
Já o Yomiuri informou que uma denúncia semelhante chegou em 24 de janeiro. Porém, o conselho tutelar não entrou em contato diretamente com a menina antes da descoberta do caso.
As diretrizes do governo japonês recomendam que conselhos tutelares confirmem presencialmente a segurança da criança em até 48 horas após uma denúncia de maus-tratos.
Especialistas ouvidos pela imprensa japonesa criticaram a demora na resposta das autoridades e pediram revisão dos procedimentos adotados tanto pelo conselho tutelar quanto pela escola da menina.






Se tem denúncia, deveriam visitar a casa no mesmo dia, e não dentro de 48 horas, que é a legislação corrente.
Também acho pra que esperar 48 hr. Vai depois que o pior aconteceu?