Tóquio, Japão – A queda populacional no Japão atingiu um novo recorde, segundo os resultados preliminares do censo nacional divulgados nesta sexta-feira (29) pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações. O país perdeu mais de 3 milhões de habitantes em comparação com o levantamento anterior, realizado em 2020.
Os dados reforçam o avanço da crise demográfica japonesa e mostram que o encolhimento populacional já alcança inclusive regiões metropolitanas historicamente mais populosas do país.
De acordo com informações do jornal Mainichi, em 1º de outubro de 2025, a população total do Japão, incluindo residentes estrangeiros, era de 123.049.524 habitantes.
Em comparação com o último censo, houve redução de 3.096.575 pessoas, o equivalente a uma queda de 2,5%, a maior já registrada desde o início dos levantamentos. A taxa de resposta do censo de 2025 foi de 80,7%.
Apenas Tóquio e Okinawa tiveram aumento populacional
Somente as províncias de Tóquio e Okinawa registraram crescimento populacional. As outras 45 províncias apresentaram queda no número de habitantes.
Saitama, Chiba e Aichi tiveram redução populacional pela primeira vez desde o início da coleta de dados estatísticos no país. Já Kanagawa registrou queda pela primeira vez desde o levantamento realizado em 1945, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Até mesmo as três províncias da região metropolitana de Tóquio — Kanagawa, Saitama e Chiba — apresentaram declínio populacional. Os números evidenciam que a redução da população já afeta algumas das áreas urbanas mais importantes do Japão.
Akita registrou a maior taxa de queda populacional do país, com redução de 8,1%. Aomori apareceu em seguida, com 7,9%. Iwate, Yamagata e Kochi tiveram retração de 7,0%.
Em números absolutos, Hokkaido liderou a redução populacional, com perda de 239.195 habitantes. Na sequência aparecem Shizuoka, com diminuição de 164.357 pessoas, e Hyogo, com queda de 141.177.
Mais de 90% dos municípios perderam população
O levantamento ainda mostrou que, entre os 1.719 municípios japoneses, 1.558 registraram diminuição populacional. Isso representa mais de 90% das cidades do país.
Apesar da queda no número de habitantes, o total de domicílios atingiu recorde de 57.124.507, impulsionado pelo crescimento de residências unipessoais. O aumento foi de 2,3%.
Ao mesmo tempo, a média de moradores por residência caiu para 2,15 pessoas, o menor índice já registrado no país.
Japão caiu no ranking mundial de população
No censo de 2020, o Japão ocupava a 11ª posição entre os países mais populosos do mundo. Agora, caiu para o 12º lugar após ser ultrapassado pela Etiópia, que possui cerca de 135 milhões de habitantes.
Além disso, a participação japonesa na população mundial ficou em 1,5%.
Esta é a terceira edição seguida com redução populacional
O censo nacional japonês começou em 1920 e é realizado a cada cinco anos. Esta foi a terceira edição consecutiva em que o país registrou queda populacional, após os levantamentos de 2015 e 2020.
De acordo com o Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, o principal fator para o avanço do declínio demográfico é a aceleração da redução natural da população provocada pela queda da taxa de natalidade.
O órgão também destacou que o censo anterior foi impactado pelo retorno temporário de japoneses que viviam no exterior durante a pandemia de COVID-19.





