Osaka, Japão – A polícia de Osaka denunciou três pessoas nesta terça-feira (2) por suspeita de armazenar e vender ilegalmente o medicamento para diabetes “Mounjaro” sem autorização.
De acordo com as autoridades, o remédio vinha sendo divulgado nas redes sociais como uma opção para emagrecimento, o que teria impulsionado negociações ilegais entre particulares, informou o jornal Asahi.
Os três suspeitos foram encaminhados à Promotoria Pública por violação da Lei de Produtos Farmacêuticos e Dispositivos Médicos do Japão. De acordo com a polícia, casos envolvendo o Mounjaro são considerados raros.
Polícia reforça monitoramento nas redes sociais
A polícia informou que intensificou o patrulhamento cibernético após identificar o aumento da comercialização irregular do medicamento pela internet. Cada suspeito foi investigado em um caso separado, e todos admitiram as acusações.
Segundo o comunicado oficial, um estudante universitário de 22 anos, morador de Koryo, na província de Nara, e uma mulher de 29 anos que trabalhava como freelancer em Osaka são suspeitos de manter entre cinco e oito unidades do Mounjaro em casa com objetivo de venda, mesmo sem licença para comercialização de medicamentos.
Já outra mulher, de 35 anos, teria vendido ilegalmente, em dezembro do ano passado, uma unidade do medicamento para duas mulheres diferentes por cerca de 6 mil a 7 mil ienes cada, após negociações feitas pelas redes sociais.
A polícia anexou ao caso do universitário e da mulher de 29 anos um parecer de “punição severa”, solicitando indiciamento formal. No caso da terceira suspeita, a delegacia emitiu parecer de “processamento adequado”, deixando a decisão criminal nas mãos da promotoria.
O que é o Mounjaro
O Mounjaro é um medicamento utilizado no tratamento de diabetes e atua estimulando a produção de insulina para reduzir os níveis de açúcar no sangue. Além disso, o remédio também possui efeito de supressão do apetite.
O próprio paciente faz a aplicação, geralmente uma vez por semana, na região do abdômen ou das coxas. O medicamento foi desenvolvido pela farmacêutica americana Eli Lilly e é considerado mais eficaz do que tratamentos convencionais para diabetes.
O Ministério da Saúde do Japão aprovou o Mounjaro como medicamento para diabetes em 2022, incluindo-o na cobertura do seguro público de saúde. O uso exige prescrição médica.
Embora o governo japonês não tenha aprovado o uso para emagrecimento, médicos podem receitá-lo em tratamentos particulares, pagos integralmente pelo paciente.
Especialista alerta para riscos da compra ilegal
A consultora de segurança e analista criminal Mika Kyoshi afirmou que o caso mostra como as redes sociais vêm sendo utilizadas não apenas para crimes relacionados a drogas ilegais, mas também para a venda irregular de medicamentos.
Segundo ela, algumas pessoas acabam tratando a prática com leveza, especialmente quando sobram medicamentos prescritos ou quando o objetivo é emagrecer. No entanto, ressaltou a importância do uso sob orientação e controle médico.
A especialista também destacou que, nos últimos anos, aumentaram os casos de venda clandestina de remédios para dormir, medicamentos psicotrópicos e produtos para emagrecimento nas redes sociais, muitas vezes utilizando códigos e métodos para evitar fiscalização.
Ela alertou ainda que medicamentos vendidos informalmente podem não ter garantia sobre armazenamento, composição ou validade, aumentando o risco de produtos falsificados ou vencidos.
Por fim, reforçou que, embora as redes sociais sejam ferramentas úteis para informação e comunicação, criminosos também utilizam essas plataformas. Segundo ela, adquirir medicamentos por meios oficiais é essencial para proteger a saúde e a segurança dos consumidores.





