Tóquio, Japão – O número de nascimentos no Japão voltou a cair em 2025 e atingiu o menor nível desde o início da série histórica, informou a emissora NHK.
De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (3) pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, nasceram 671.236 crianças no país ao longo do último ano, uma redução de 14.937 em comparação ao ano anterior. Os números não incluem estrangeiros.
A queda acontece pelo décimo ano consecutivo e reforça o avanço acelerado da baixa natalidade no Japão. Além disso, a taxa de fertilidade total — indicador que representa o número médio de filhos que uma mulher teria ao longo da vida — caiu para 1,14, o menor índice já registrado desde 1947.
Queda da natalidade avança mais rápido que o previsto
De acordo com projeções divulgadas há três anos pelo Instituto Nacional de Pesquisa sobre Seguridade Social e Problemas Populacionais, o Japão só chegaria ao patamar de 670 mil nascimentos em 2040. No entanto, o cenário foi alcançado cerca de 15 anos antes do esperado.
O contraste com o passado é significativo. Durante o primeiro boom de nascimentos do pós-guerra, em 1949, o Japão registrou mais de 2,69 milhões de nascimentos. Atualmente, o número corresponde a aproximadamente um quarto daquele período.
Número de mortes supera nascimentos novamente
Enquanto os nascimentos diminuíram, o Japão registrou 1.589.489 mortes no último ano. Apesar de representar uma queda de 15.889 casos em relação ao ano anterior, foi o 19º ano consecutivo em que o número de mortes superou o de nascimentos.
Com isso, o chamado “declínio natural” da população ficou em 918.253 pessoas.
Além disso, o número de casamentos subiu ligeiramente para 489.119 uniões, um aumento de 4.027 em relação ao ano anterior. Ainda assim, na comparação com dez anos atrás, houve redução de mais de 140 mil casamentos.
Especialista aponta casamento como fator central
O pesquisador-chefe Takumi Fujinami, do Instituto de Pesquisa do Japão, afirmou que o aumento no número de casamentos pode estar relacionado à melhora nas oportunidades de emprego e ao crescimento dos salários iniciais para jovens trabalhadores.
Segundo ele, isso pode estar permitindo que mais pessoas consigam planejar o futuro com maior estabilidade.
Por outro lado, o especialista alertou que a população jovem continuará diminuindo estruturalmente nos próximos anos.
Fujinami destacou ainda que, no Japão, casamento e nascimento de filhos estão fortemente ligados. Por isso, criar condições para que os jovens consigam se casar com mais facilidade seria um dos principais pontos das políticas de combate à baixa natalidade.
Ele também afirmou que não existe uma única medida capaz de aumentar rapidamente o número de casamentos. Nesse sentido, ressaltou a importância de melhorar o ambiente econômico e oferecer perspectivas mais positivas para o futuro dos jovens.





