Tóquio, Japão – O jornal Niigata Nippo publicou um editorial nesta segunda-feira, dia 8, criticando duramente a aprovação da revisão da Lei de Imigração e Refugiados do Japão, que prevê um aumento expressivo nas taxas cobradas de estrangeiros para renovação de visto e obtenção da residência permanente.
No texto, o jornal demonstra preocupação com o impacto econômico e social da medida. Além disso, alerta para o risco de fortalecimento da xenofobia no país.
Logo no início do editorial, o periódico afirma que o reajuste representa “um aumento excessivamente abrupto da carga financeira” e ressalta que “os estrangeiros agora são pessoas que sustentam a sociedade japonesa junto com os japoneses”. Em seguida, faz um alerta direto: “há preocupação de que o endurecimento incentive o nacionalismo excludente e a xenofobia”.
A nova legislação eleva o teto das taxas de 10 mil ienes para até 100 mil ienes em renovações. A taxa máxima para visto permanente pode chegar a 300 mil ienes.
“Não há como não dizer que falta consideração”
Segundo o editorial, embora os valores finais ainda não tenham sido oficialmente definidos, o governo já trabalha com referências. As taxas poderiam chegar a cerca de 70 mil ienes para permissões de cinco anos e aproximadamente 200 mil ienes para o visto permanente. O texto afirma que o aumento ignora realidade financeira de trabalhadores estrangeiros no Japão.
O jornal reconhece que o governo justifica o aumento pelo crescimento da população estrangeira e pelo aumento dos custos administrativos, mas considera a medida desproporcional. “Há pessoas cuja taxa aumentará mais de dez vezes de uma só vez. Não há como não dizer que falta consideração”, critica o texto.
O editorial ainda destaca que, durante os debates parlamentares, houve críticas de que a proposta “está desconectada da realidade do setor privado”.
Outro ponto enfatizado pelo Niigata Nippo é o peso que a mudança poderá trazer para trabalhadores estrangeiros de baixa renda e famílias numerosas. O jornal afirma que “entre os estrangeiros há pessoas considerando deixar o Japão”. Ele alerta que isso pode agravar ainda mais a falta de mão de obra em diversos setores da economia japonesa.
“Se os estrangeiros desaparecerem, faltará mão de obra”
De acordo com o editorial, muitos estrangeiros que trabalham no Japão foram atraídos justamente para suprir a escassez de mão de obra no país. “Se os trabalhadores estrangeiros desaparecerem, diversos locais poderão enfrentar falta de mão de obra”, diz o texto.
O periódico também cobra clareza sobre os critérios de redução ou isenção das taxas para pessoas em dificuldades financeiras. Embora a lei preveja mecanismos de alívio, o jornal critica o fato de que “os alvos dessas medidas ainda são pouco claros” e defende que o governo apresente rapidamente critérios objetivos.
Além dos impactos sobre os estrangeiros, o editorial aponta possíveis prejuízos para a indústria, especialmente pequenas e médias empresas que dependem de mão de obra estrangeira. Segundo o jornal, há casos em que empregadores dividem os custos dos processos migratórios com os funcionários, o que pode gerar “um aumento significativo de custos” em meio à inflação e ao aumento geral dos preços no Japão.
“Os estrangeiros são indispensáveis para a atividade econômica”
O Niigata Nippo relaciona a mudança à política migratória do governo da primeira-ministra Sanae Takaichi, baseada no conceito de “convivência ordenada”. O editorial lembra que, em outubro do ano passado, o governo já havia endurecido as exigências para estrangeiros empreendedores, elevando o capital mínimo necessário para determinados vistos de negócios de 5 milhões para 30 milhões de ienes.
O jornal também critica o endurecimento de procedimentos ligados à naturalização japonesa e questiona a justificativa oficial de combate à imigração irregular. Segundo o editorial, dados da Agência de Serviços de Imigração mostram que o número de estrangeiros em situação irregular caiu drasticamente nas últimas décadas, passando de cerca de 290 mil pessoas em 1993 para aproximadamente 68 mil em janeiro deste ano.
Por fim, o Niigata Nippo defende uma postura mais voltada à integração social dos imigrantes. “Em meio à queda populacional, os trabalhadores estrangeiros são indispensáveis para manter a vida social e a atividade econômica”, afirma o texto.
O editorial pede que o governo fortaleça iniciativas voltadas à construção de uma sociedade multicultural, incluindo programas de ensino da língua japonesa e políticas de convivência.





