Tóquio, Japão – O forte aumento das taxas para renovação e mudança de visto, aprovado na terça-feira (25), preocupa estrangeiros que vivem no Japão. Os novos valores entrarão em vigor em outubro e, em alguns casos, superarão o salário mensal dos trabalhadores, segundo reportagem do Tokyo Shimbun.
O governo também criou medidas para reduzir as taxas cobradas de algumas pessoas. No entanto, o alcance será limitado, e milhões de estrangeiros terão de arcar com despesas muito maiores para continuar vivendo no país.
Além do impacto direto sobre essas famílias, o aumento pode atingir empresas e instituições japonesas que dependem de funcionários estrangeiros, especialmente no setor de cuidados a idosos.
Taxa de renovação pode chegar a ¥75 mil por pessoa
No fim de 2025, o Japão tinha 4,12 milhões de residentes estrangeiros. Desse total, 940 mil possuíam visto permanente e 260 mil eram residentes permanentes especiais.
Os outros 2,91 milhões precisam renovar periodicamente o status de residência. Portanto, o reajuste representa um aumento direto das despesas para grande parte da população estrangeira.
A taxa para renovação ou mudança de status daqueles que recebem cinco anos ou mais de permanência chegará a ¥75 mil, valor até 12,5 vezes maior que o atual. Já a solicitação do visto permanente passará de ¥10 mil para ¥200 mil, um aumento de 20 vezes.

Além disso, cerca de 300 mil pessoas obtêm um novo status de residência todos os anos, o que amplia ainda mais o alcance da medida.
“Mais caro que o salário”
Um homem de Mianmar, na faixa dos 40 anos, disse ao Tokyo Shimbun que o aumento será “realmente doloroso”. Integrante da minoria rohingya, ele fugiu de perseguições e recebeu o reconhecimento como refugiado no Japão em 2022.
O homem possui o status de residente de longa duração e precisa renová-lo a cada cinco anos. Atualmente, ele, a esposa e o filho pagam juntos ¥18 mil. A partir de outubro, porém, a despesa da família subirá para ¥225 mil.
Como o salário líquido mensal do trabalhador é de aproximadamente ¥200 mil, ele resumiu a situação: “É mais que meu salário”.
O homem gostaria de obter o visto permanente, que dispensa renovações periódicas. Contudo, a Agência de Serviços de Imigração pretende exigir, a partir de outubro, uma renda igual ou superior à média anual das famílias japonesas.
Diante desse requisito, ele afirmou que conseguir o visto permanente será “completamente impossível”.
Uma mulher do sul da Ásia, que cria um filho no ensino médio e outro no ensino fundamental, também teme as consequências.
A família recebe apenas um ano de permanência por renovação. Dessa forma, a despesa anual, hoje de ¥18 mil, passará para ¥99 mil.
A mulher recebe ¥130 mil por mês e disse que a família já vive com o orçamento no limite. “Não conseguiremos sobreviver. Como esperam que a gente economize ainda mais?”, lamentou.
Instituições temem perder trabalhadores estrangeiros
Os reflexos do aumento devem chegar também aos locais de trabalho. A Fukushi Gakudan, uma organização de assistência social da província de Chiba, emprega 78 pessoas de quatro países, incluindo Filipinas e Vietnã, em quatro instituições para idosos.
Os estrangeiros representam um terço dos cuidadores. Akiko Abe, diretora da organização, afirmou que “os serviços não conseguem funcionar sem trabalhadores estrangeiros”.
Muitos desses funcionários recebem apenas um ano de permanência por renovação. A taxa, paga pelos próprios trabalhadores, saltará de ¥6 mil para ¥33 mil.
Diante disso, alguns já consideram procurar emprego em outros países. A instituição analisa maneiras de reduzir o peso da taxa para os funcionários, mas Abe reconheceu que qualquer ajuda também terá um impacto considerável nas finanças da organização.
O Conselho de Instituições de Assistência Social para Idosos pediu, durante a consulta pública, que o governo mantivesse os valores atuais ou reduzisse a dimensão do reajuste. No entanto, a solicitação não entrou na decisão final.
Segundo Abe, a dificuldade para contratar estrangeiros deve aumentar. Além disso, ela teme que profissionais qualificados deixem o Japão em busca de melhores condições em outros países.





