Tóquio, Japão – A Agência de Serviços de Imigração pretende enviar agentes para acompanhar inspeções em locais de trabalho e reforçar o combate ao emprego irregular de estrangeiros. Durante as operações, os agentes poderão pedir a apresentação do Zairyu Card para verificar a situação migratória e a autorização de trabalho.
De acordo com a Jiji Press, as primeiras ações conjuntas poderão começar em outubro, em obras de construção e demolição fiscalizadas pelo Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo. A Imigração também planeja ampliar a cooperação com os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, Florestas e Pesca.
Atualmente, o Ministério da Terra realiza patrulhas periódicas nesses locais por meio de governos municipais e provinciais. No entanto, os funcionários dos departamentos responsáveis pela construção não têm autoridade para confirmar a identidade ou a situação de residência dos trabalhadores estrangeiros, mesmo quando identificam indícios de emprego irregular.
Para preencher essa lacuna, agentes de controle da Imigração, que têm autoridade para solicitar documentos, deverão acompanhar as equipes. Assim, poderão pedir o Zairyu Card durante a fiscalização e verificar mais rapidamente se o estrangeiro possui residência válida e se o status permite exercer aquela atividade profissional.
A Agência de Serviços de Imigração explica que os residentes estrangeiros de médio e longo prazo devem portar o Zairyu Card e apresentá-lo quando houver solicitação de agentes de imigração, policiais e outras autoridades habilitadas. O descumprimento das regras de porte ou apresentação pode resultar em punições previstas na Lei de Imigração.
Mais de 70% trabalhavam de forma irregular
O governo decidiu reforçar as inspeções depois de constatar que o emprego irregular aparece em grande parte dos casos de violação da legislação migratória.
De acordo com os dados oficiais referentes a 2025, a Imigração submeteu 18.429 estrangeiros a procedimentos de deportação ou ordem de saída. Entre eles, 13.435, o equivalente a 72,9%, trabalhavam irregularmente.
O Ministério da Justiça incluiu o combate a empregadores e intermediários que favorecem esse tipo de contratação no chamado “Plano Zero Residentes Irregulares”. A estratégia prevê fortalecer a identificação de estrangeiros em situação irregular, acelerar procedimentos migratórios e ampliar a fiscalização de empresas que oferecem trabalho sem verificar o status de residência.
Fiscalização pode chegar a depósitos e áreas agrícolas
A Imigração também pretende realizar inspeções conjuntas em áreas conhecidas como yards, usadas para armazenar ao ar livre plástico descartado e sucata metálica. Esses estabelecimentos estão sob a área de atuação do Ministério do Meio Ambiente e são apontados como possíveis focos de emprego irregular.
As autoridades negociam a realização de operações com governos locais que já adotaram regulamentos próprios para controlar essas instalações.
Outro setor que deve receber atenção é o agrícola. Segundo a Jiji Press, autoridades locais relatam casos de contratação irregular principalmente durante períodos de maior demanda, como as épocas de plantio e colheita. Nesse segmento, a Imigração e o Ministério da Agricultura pretendem começar reforçando campanhas de orientação a produtores e empregadores.





