Hiroshima, Japão – A falta de motoristas de ônibus está levando empresas do Japão a buscar novas alternativas. Em Hiroshima, uma companhia decidiu contratar profissionais estrangeiros para tentar manter o serviço de transporte público diante da escassez de mão de obra.
Desta vez, os dois novos motoristas são indonésios. Saehul Ulum, de 49 anos, e Thierry Colombis, de 36, estão em treinamento na Hiroshima Kotsu, empresa que opera linhas entre a região norte e o centro da cidade de Hiroshima.
A companhia, localizada no distrito de Nishi, foi a primeira da província de Hiroshima a contratar motoristas estrangeiros, de acordo com a TBS.
A empresa começou a admitir profissionais estrangeiros em 2024. Naquele ano, o visto de Trabalhador Qualificado Específico foi ampliado para incluir o setor de transporte rodoviário.
O presidente da Hiroshima Kotsu, Tadayuki Teshima, chegou a viajar à Indonésia para participar do processo de recrutamento.
Segundo ele, os candidatos demonstraram entusiasmo e disposição desde o primeiro contato. Além disso, a empresa avaliou que eles teriam facilidade para se adaptar ao trabalho no Japão.
Falta de motoristas já afeta os serviços
Em 1º de outubro, a Hiroshima Kotsu tinha 194 motoristas, cerca de 17% a menos do que há dez anos.
Inclusive, a situação já afetou o funcionamento das linhas. Em 2024, a empresa reduziu os serviços em duas ocasiões.
Mesmo assim, ainda faltavam aproximadamente 15 motoristas.
Por isso, a contratação tradicional deixou de ser suficiente. A empresa passou a buscar profissionais estrangeiros como uma das formas de enfrentar o problema.
Saehul e Thierry já passaram por uma etapa importante.
Primeiro, converteram suas carteiras de habilitação da Indonésia para documentos japoneses. Depois, obtiveram a habilitação de Classe 2 para veículos pesados, necessária para trabalhar profissionalmente como motoristas de ônibus.
Agora, os dois fazem treinamentos dentro da empresa antes de começar a transportar passageiros.
Direção e idioma japonês são desafios para os novos motoristas
Saehul gosta de dirigir e vem avançando nas aulas práticas.
Durante um dos treinamentos, ele conduziu um veículo com câmbio manual. Em determinado momento, porém, ultrapassou a faixa de parada em um semáforo.
O instrutor Tetsuya Chihaya explicou que era necessário prestar atenção também ao semáforo para pedestres.
Para quem dirige um ônibus, antecipar os movimentos de outros veículos e pedestres é fundamental.
Além da direção, os novos profissionais precisam dominar o japonês usado no trabalho.
Saehul já consegue anunciar os nomes dos pontos de ônibus em japonês. Entretanto, memorizar alguns locais foi difícil no início.
Ele explica que muitos pontos não mostram os nomes em hiragana ou em alfabeto romano. Por isso, é preciso memorizar a leitura dos kanjis.
Alguns nomes são especialmente complicados para quem ainda está aprendendo o idioma.
Salário foi um dos motivos para escolher o Japão
Saehul também falou sobre a decisão de deixar a Indonésia e trabalhar no Japão.
Segundo ele, o salário foi um dos principais motivos.
A renda também é importante para ajudar a família que continua na Indonésia.
Sua esposa e o segundo filho permanecem no país. O filho mais velho está na universidade.
Por isso, conseguir um emprego estável no Japão representa uma oportunidade importante para o motorista.
Setor sofre com a falta de profissionais
A escassez de trabalhadores não é um problema exclusivo da Hiroshima Kotsu.
Segundo a Plataforma de Cooperação e Cocriação de Ônibus de Hiroshima, oito empresas de transporte da cidade de Hiroshima e de áreas próximas tinham 1.820 motoristas em 2020.
Nos cinco anos seguintes, o número caiu em 155 pessoas. A redução foi de aproximadamente 10%.
A situação preocupa especialmente entre os trabalhadores mais jovens.
A saída de funcionários com menos de 40 anos é elevada. Ao mesmo tempo, aumentou a participação de profissionais com 50 anos ou mais.
Essa faixa etária cresceu 15% nos últimos cinco anos.
Se a tendência continuar, será cada vez mais difícil manter a atual estrutura de transporte público.
Além disso, a distância percorrida pelos ônibus de linha também diminuiu.
Segundo o Manual de Transportes, publicado pelo Departamento de Transportes de Chugoku, a quilometragem total dos ônibus de linha em Hiroshima caiu cerca de 30% em dez anos.
O volume, que era de aproximadamente 100 milhões de quilômetros, sofreu uma redução significativa no período.
Hiroshima busca alternativas para manter os ônibus nas ruas
Diante da falta de profissionais, Hiroshima também testa outras soluções.
A cidade realiza experiências com ônibus autônomos equipados com inteligência artificial.
Outra alternativa é substituir veículos maiores por vans que possam ser conduzidas com uma carteira de habilitação comum.
No entanto, essas opções ainda apresentam limitações.
Os veículos autônomos precisam lidar com situações inesperadas no trânsito. Já as vans têm capacidade para apenas nove passageiros.
Por isso, elas não conseguem substituir completamente os ônibus tradicionais em áreas urbanas.
Enquanto essas alternativas são testadas, o setor continua buscando novos motoristas.
Além da contratação de estrangeiros, as empresas estão ampliando o recrutamento entre estudantes do ensino médio.
Também houve mudanças para facilitar a obtenção da habilitação de Classe 2 para veículos pesados.
Outra estratégia é atrair integrantes das Forças de Autodefesa que já possuem habilitação para veículos pesados. A ideia é incentivar essas pessoas a escolherem a profissão de motorista de ônibus como uma segunda carreira.
A escassez de mão de obra, portanto, tornou a contratação de novos profissionais uma questão urgente.
Em Hiroshima, os dois motoristas estrangeiros representam uma nova aposta para manter o transporte público funcionando.
Se o treinamento continuar como planejado, eles poderão começar a dirigir ônibus até o fim deste ano.





