Atualizado em: 03/04/2024 14:23
Tóquio, Japão – A Tokyu Bus Corp, que opera em Tóquio, anunciou que deverá contratar motoristas estrangeiros diante da escassez de trabalhadores nesta área, publicou a Kyodo News.
A informação foi dada pelo presidente da empresa, Takashi Furukawa, que quer abrir um precedente no setor. Furukawa quer aproveitar sua experiência no Vietnã, onde ajudou a introduzir o sistema japonês na administração no transporte público.
O presidente da companhia sabe que surgirão desafios até que um estrangeiro possa dirigir um ônibus para sua empresa, que emprega cerca de 2.000 pessoas. “Sei que pode não ser um caminho fácil, mas vale a pena pavimentar”, assegurou.
Para preencher as vagas de motorista de ônibus, Furukawa disse que fará tudo o que estiver ao seu alcance, e contratar estrangeiros para esta função é uma opção. “É óbvio que a escassez de motoristas se tornará ainda mais grave. O plano é começar com alguns motoristas estrangeiros.”
Ele resumiu como os profissionais da área devem atuar: “A direção segura vem antes de tudo. Mas os motoristas de ônibus devem ser capazes de responder a situações de emergência. E a hospitalidade ou a capacidade de se comunicar com os passageiros com sorrisos também é exigida deles.”
O Japão tem uma política rigorosa de imigração e tem aberto gradualmente alguns setores aos estrangeiros qualificados, como é o caso de enfermagem. E considera ampliar para outras áreas.
A preocupação do setor se deve a uma nova regra que iniciará em abril, limitando as horas extras de motoristas para 960 horas por ano, o que deverá diminuir o número de trabalhadores no setor.
A Nihon Bus Association afirma que o setor sofrerá escassez de 36 mil motoristas no ano fiscal de 2030, em parte devido também ao envelhecimento dos trabalhadores.
A Kyodo News publicou que para dirigir ônibus os motoristas devem ter carta de habilitação de Classe 2, a qual é um grande obstáculo mesmo para os japoneses. Mas ainda assim há planos de oferecer testes para obter esta licença em 20 idiomas.
A Tokyu Bus opera em Tóquio e na província de Kanagawa e já emprega dois mecânicos vietnamitas, enquanto a função de motorista representa 3% do total de funcionários.
Furukawa disse que as pessoas tinham restrições em andar em um ônibus dirigido por uma mulher, o que ficou no passado. “O que importa é como começamos, porque precisamos garantir que nossos clientes sintam que os motoristas estrangeiros são tão bons quanto os japoneses.”
A Tokyu Bus deverá aumentar 10 ienes nas tarifas a partir de março, o primeiro reajuste desde 1997, em parte para melhorar os benefícios para seus funcionários. Furukawa disse que se motoristas estrangeiros ingressarem na empresa, garantirá que recebam os mesmos benefícios que os japoneses.
“Precisamos acordar para o fato de que muitos trabalhadores estrangeiros já são cruciais no sustento da nossa vida diária. E minha esperança é ver a sociedade japonesa mudar de uma forma que as pessoas estejam acostumadas com motoristas de ônibus, táxis e caminhões vindos de diferentes países”, disse Furukawa.
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