Tóquio, Japão – As falências relacionadas à falta de mão de obra atingiram um novo recorde no Japão no primeiro semestre do ano fiscal de 2026, entre abril e setembro. Foram registrados 240 casos, aumento de 17% em relação aos 205 do mesmo período do ano anterior.
De acordo com levantamento divulgado nesta segunda-feira (5) pela Tokyo Shoko Research, esse foi o maior número para um primeiro semestre fiscal desde o início da pesquisa, em 2013. O total também aumentou pelo quinto ano consecutivo, depois de cair para apenas 26 casos durante a pandemia, em 2021.
O avanço ocorreu principalmente entre empresas que não conseguiram absorver o aumento dos custos trabalhistas. Essa situação provocou 130 falências, alta de 75,6% na comparação anual. O número corresponde a 54,1% de todos os casos associados à escassez de trabalhadores no período.
A Tokyo Shoko Research classifica nessa categoria as empresas que fecharam por dificuldades para contratar, saída de funcionários ou alta dos custos com pessoal. Problemas relacionados à falta de sucessores não entram no levantamento.
Pequenas empresas concentram os casos
Os dados mostram que as pequenas empresas enfrentam maior dificuldade para acompanhar a disputa por trabalhadores e os reajustes salariais.
Dos 240 casos, 159 — ou 66,2% — envolveram negócios com capital inferior a ¥10 milhões. Esse número cresceu 33,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Além disso, 229 empresas, equivalentes a 95,4% do total, entraram diretamente em processo de falência, em vez de recorrer a outros mecanismos de recuperação ou reorganização.
Por setor, a área de serviços liderou com 91 casos, crescimento de 21,3%. A construção civil apareceu em seguida, com 55 falências, alta de 5,7%. Juntos, os dois setores responderam por 60,8% das ocorrências.
O resultado reflete a vulnerabilidade de atividades que dependem de grande quantidade de trabalhadores. Quando uma empresa perde funcionários ou precisa aumentar salários para evitar novas saídas, os gastos crescem rapidamente. Negócios pequenos, porém, nem sempre conseguem repassar esses custos aos clientes.
Empresas aumentam salários para reter funcionários
Outro levantamento da Tokyo Shoko Research, realizado entre o fim de julho e o início de agosto, mostrou que 83,2% das empresas consultadas concederam algum tipo de aumento salarial no ano fiscal de 2026.
A proporção chegou a 93,8% entre as grandes empresas, mas ficou em 82,3% entre as pequenas e médias. Embora a diferença tenha diminuído ligeiramente, os dados indicam que os grandes grupos ainda possuem maior capacidade financeira para elevar a remuneração e disputar profissionais.
Entre as empresas que reajustaram os salários, 42,5% concederam aumento de pelo menos 5%. A própria consultoria, no entanto, destacou que muitos reajustes tiveram caráter defensivo: as empresas aumentaram a remuneração para evitar demissões e enfrentar a alta do custo de vida, mesmo sem crescimento equivalente nos lucros.
Uma pesquisa anterior também apontou que 80,3% das empresas que pretendiam elevar os salários citaram a necessidade de impedir a saída de funcionários. Apenas 30,5% relacionaram a decisão à melhora dos resultados, enquanto 5,9% mencionaram expectativas mais favoráveis para os negócios.
Pressão deve continuar com novo salário mínimo
A pressão sobre as pequenas empresas pode aumentar a partir de outubro, quando os novos valores do salário mínimo entram em vigor gradualmente nas 47 províncias.
Além dos custos salariais, as companhias enfrentam alta de matérias-primas, energia e outros insumos. Para setores com margens menores, aumentar preços nem sempre é possível, sobretudo quando grandes concorrentes conseguem manter valores mais baixos.
Dados da Teikoku Databank confirmam a tendência, embora adotem período e metodologia diferentes. Entre janeiro e junho de 2026, a empresa identificou 227 falências relacionadas à falta de mão de obra, alta de 12,4% e recorde para um primeiro semestre.
Segundo a Tokyo Shoko Research, a combinação de escassez de trabalhadores, inflação e reajustes salariais evidencia um quadro de “cansaço com os aumentos de salários”. As empresas reconhecem que precisam pagar mais para contratar e reter profissionais, mas muitas já não possuem recursos suficientes para sustentar novos reajustes.






Estas empresas que faliram,são empresas e empreendedores que contratam apenas japoneses!
Existem muitos empregos no Japão,que são divulgados através de revistas japonesas,e que são direcionadas aos japoneses e não aos estrangeiros!
Meu irmão já tentou a sorte,e só conseguiu um, e mesmo assim,era uma área na qual necessitava de uma formação para a área(montar maquinários???).
Nos outros anúncios,disseram pra ele:”não aceitamos estrangeiros!somente japoneses!”
A construção civil tbem,ultimamente tem exigido isso e os ilegais só conseguem empregos nesta área,através daquelas empresas fundo de quintal,que quase ninguém conhece o local…
E mesmo assim, o governo japonês e os japoneses estão e são contra os estrangeiros. Japonês não quer ter filhos e nem querem trabalhar.
sim bem por ai. e essas mesmas empresas que so aceitam japoneses,nao aceitam “qualquer japa” .
um colega japa em varias vezes foi recusado por ser “caipira”
ele e nativo de miyagi-ken (muitos japas ainda tem preconceito com quem vem da regiao de tohoku (a regiao que vai de fukushima ate aomori) ) sao vistos como “estrangeiros” (por causa do “sotaque” local ser diferente) e o mesmo acontece com quem vem de okinawa (muitos ainda dizem que os nativos de la nem sao japoneses)