Atualizado em: 03/04/2024 14:06
Tóquio, Japão – Três estrangeiros naturalizados ou com residência permanente no Japão entraram com uma ação na segunda-feira (29) contra o governo de Tóquio e da província de Aichi, alegando discriminação por parte da polícia. Eles disseram que foram repetidamente parados e interrogados por policiais devido à etnia ou aparência e pedem uma indenização de 3,3 milhões de ienes (22 mil dólares) por danos para cada um, segundo a Kyodo News.
Os três homens têm idades entre 20 e 50 anos de idade, vivem no Japão por mais de 10 anos e entraram com a ação no Tribunal Distrital de Tóquio, alegando que os constantes interrogatórios policiais são um ato de discriminação e violam o Artigo 14 da Constituição, que estipula que não haverá discriminação com base na raça ou origem familiar.
O demandante Seiedo Zain, 26 anos, cujos pais são paquistaneses, tem cidadania japonesa. Ele vive em Nagoia, na província de Aichi, e disse que chegou a ser parado até duas vezes em um dia pela polícia.
Zain disse que cooperou com a polícia porque sentiu que era a coisa mais segura a fazer. Porém, ele disse que começou a se perguntar por que estava sendo parado depois de ser interrogado mais de 10 vezes.
Ele acrescentou: “Pode haver uma percepção de que os estrangeiros no Japão tendem a cometer crimes, e eu gostaria que isso mudasse. Chegou a hora de repensar a forma como o interrogatório policial é conduzido.”
Outro dos demandantes, um ilhéu do Pacífico de 50 anos chamado Matthew, residente permanente do Japão, foi interrogado cerca de 100 vezes, segundo seus advogados.
Matthew disse que essas experiências fizeram com que ele se retirasse socialmente. “Toda vez que termino o trabalho, fico escondido em minha casa… porque não quero enfrentar outro (encontro) policial”, disse.
“Muita apatia aqui permitiu que pessoas como eu fossem abusadas e maltratadas”, disse aos repórteres um dos demandantes, um afro-americano de 40 anos que se identificou como Maurice S. “Esta é uma ocorrência diária. Temos que fazer algo para evitar isso para as gerações futuras.”
Maurice mora com familiares que são cidadãos japoneses, disse que foi interrogado 16 ou 17 vezes pela polícia durante sua década no Japão, segundo a France Presse.
A advogada dos réus, Tomoko Uraki, disse aos repórteres que deseja proporcionar à sociedade uma oportunidade de pensar sobre tais ações da polícia, que podem estar ligadas ao perfil racial.
Ela falou a um repórter sobre instruções que se acredita terem sido produzidas pela polícia da província de Aichi.
“Os policiais devem realizar uma investigação minuciosa, de acordo com a crença de que indivíduos com aparência estrangeira e que não falam japonês devem estar envolvidos em alguma forma de ação ilegal”, disseram.
Os três demandantes argumentaram ainda que a polícia agindo assim foi contra as convenções internacionais de combate à discriminação e disseram que o governo central é obrigado a supervisionar as ações dos policiais visando retificar a situação.
Um comitê das Nações Unidas recomenda que sejam definidas diretrizes para evitar um interrogatório ou investigação policial sejam baseados em raça, cor da pele, origem nacional e outros fatores.
Um representante da Agência Nacional de Polícia afirmou apenas que a polícia ainda não recebeu a denúncia.
Foto: Reprodução/NHK
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