Tóquio, Japão – Relatos de estrangeiros que oferecem pequenas bandeiras do Japão e pedem dinheiro como “doação” vêm sendo registrados em diferentes partes do país. Em alguns casos, elas entram em estabelecimentos comerciais e permanecem no local mesmo depois que os responsáveis recusam o pedido.
Segundo uma recente reportagem da TV Asahi, uma mulher entrou em um bar no bairro de Susukino, em Sapporo (Hokkaido), sem pedir bebidas ou outros produtos. Em seguida, entregou ao proprietário uma folha na qual afirmava não ouvir nem falar.
O texto dizia ainda que ela teria vindo ao Japão para conhecer a cultura do país e precisava de ajuda financeira para continuar suas atividades. Em troca de uma contribuição de 500 ienes, entregaria uma pequena bandeira japonesa.
O comerciante recusou inicialmente, mas disse que a mulher não demonstrava intenção de sair. Preocupado com o funcionamento do bar, acabou entregando os 500 ienes.
Outros estabelecimentos também receberam visitas
Outro bar de Susukino recebeu uma abordagem semelhante. Uma mulher colocou uma bandeira de aproximadamente metade do tamanho de uma folha A4 diante do responsável e mostrou um texto no qual pedia cerca de 500 ienes.
Nesse caso, o comerciante recusou o pagamento e exigiu que ela saísse. Ao conversar com responsáveis por estabelecimentos próximos, descobriu que outras lojas da região também haviam recebido visitas parecidas.
A TV Asahi informou que relatos semelhantes surgiram em várias partes do Japão, inclusive nas redes sociais. As abordagens seguem, em geral, o mesmo padrão: a pessoa afirma ter deficiência auditiva, apresenta um texto pronto e oferece uma bandeira em troca de dinheiro.
No entanto, as autoridades ainda não confirmaram se os casos têm ligação entre si ou se existe uma organização por trás das abordagens. A nacionalidade das mulheres também não foi divulgada.
O ex-integrante do Departamento de Segurança Pública da Polícia Metropolitana de Tóquio, Toshihiko Matsumaru, afirmou à emissora que, com as informações disponíveis, não identificou sinais claros de uma ação organizada. Segundo ele, algumas pessoas podem usar esse método individualmente para obter dinheiro ou custear viagens.
Casos semelhantes já haviam sido comunicados à polícia
A prática não é nova. Em junho de 2024, o jornal Wakayama Shimpo informou que a polícia havia recebido duas consultas sobre estrangeiros que ofereciam bandeiras do Japão em troca de doações.
Em um dos episódios, um homem visitou uma residência e pediu 500 ienes. Uma moradora relatou que ele lhe entregou um cartão no qual dizia ter deficiência auditiva. Após receber o dinheiro, pediu o cartão de volta e deixou rapidamente o local.
Na época, a polícia de Wakayama explicou que uma contribuição voluntária e a dificuldade de provar se a pessoa realmente tinha ou não deficiência auditiva tornavam uma acusação criminal pouco provável. Entretanto, a avaliação pode mudar quando há ameaça, insistência excessiva, exigência de pagamento ou recusa em deixar o imóvel.
Como agir diante da abordagem
Matsumaru recomenda não entregar dinheiro apenas para encerrar a situação. Segundo ele, o pagamento pode fazer com que o estabelecimento seja identificado como um local no qual a abordagem funciona, aumentando o risco de novas visitas.
A orientação é recusar claramente o pedido e solicitar que a pessoa deixe o local. Caso ela insista, atrapalhe o funcionamento do estabelecimento ou se recuse a sair, o responsável pode chamar a polícia.
Para situações sem urgência, a Agência Nacional de Polícia orienta o uso do número de consultas #9110. Se houver ameaça, risco à segurança ou recusa em deixar o estabelecimento, a recomendação é ligar para o 110.
Também é possível procurar o serviço de defesa do consumidor pelo número 188. Até o momento, porém, as autoridades não classificaram o conjunto desses relatos como fraude organizada nem divulgaram prisões relacionadas às abordagens.
Alegação de deficiência auditiva explora constrangimento, diz ex-procurador
O ex-procurador da Unidade Especial de Investigação, Tsunehiko Maeda, afirmou que a prática não tem relação com a recente criação do crime de dano à bandeira nacional. Segundo ele, relatos semelhantes já circulavam em Tóquio em 2018 e, posteriormente, começaram a surgir em outras regiões do país.
Maeda avalia que os envolvidos adotam a aparência de venda de um produto para tentar evitar o enquadramento na Lei de Delitos Leves, que pune a prática de pedir dinheiro de forma habitual. Além disso, contariam com a dificuldade de comprovar se a pessoa realmente tem deficiência auditiva e com o baixo valor de cada pagamento — geralmente cerca de 500 ienes — para reduzir a possibilidade de investigação por fraude.
De acordo com o ex-procurador, a alegação de deficiência auditiva também explora o constrangimento de quem recebe a abordagem. Algumas pessoas podem pensar que seria indelicado recusar ou que “não custa dar 500 ienes”. Ao mesmo tempo, quem faz a cobrança pode fingir que não entendeu a recusa e continuar insistindo.
Ele ressaltou, porém, que seguir a pessoa, bloquear sua passagem ou permanecer no estabelecimento depois de receber uma ordem para sair pode configurar infração às leis locais contra perturbações e abordagens abusivas. Por isso, Maeda recomenda comunicar à polícia os casos de venda insistente ou agressiva.
Segundo ele, já houve situações em que estrangeiros que afirmavam não conseguir se comunicar passaram a se explicar fluentemente em japonês após serem detidos.






Eu não entendi direito o golpe, se não der ela fica lá por horas? Mas faz alguma coisa ou só fica lá? E outra ela da uma bandeirinha do Japão, no Brasil isso é bem comum de se ver na rua, normalmente em troca de caneta ou chocolate….nso vejo como golpe, mesmo que não sejam surdos realmente, mas como possivelmente constrangimento.
sai pra la porcos
Quando eles pedirem 500 ienes é simples pega uma vassoura e pede para fazer limpeza e você paga por meia hora de limpeza . Não é porque é surdo que a pessoa não consegue trabalhar.
Japoneses estão mudando seu jeito de ser!
Antigamente,até um simples barulho nos apartamentos,já era motivos para chamar a polícia!
Hoje a mulher faz o golpe,a olho nu,e os japoneses nada fazem…🤓